A jovem escritora são-tomense Camila Afonso afirmou, durante o podcast “Mulher na Liderança” da RSTP, que aproveita os textos de seus livros para contar histórias reais, com o objetivo de inspirar jovens e meninas a serem persistentes e perseverantes na conquista de seus sonhos.
Formada na área de Design, em Marrocos, Camila afirmou ser uma “amante da arte, em especial da pintura e da música, bem como da arte cénica e do artesanato feito com peças de tecidos africanos”.
A jovem destacou que a paixão pela escrita surgiu desde cedo.
“A minha paixão pela literatura vem desde a infância. Sempre gostei muito de ler e procurava, de alguma forma, ter acesso a livros”, disse.
O gênero da banda desenhada e o texto narrativo são os preferidos da escritora.
Autora do livro “Mãe aos 16”, lançado em formato digital em 2024 e físico em 2025, onde descreve o processo vivido pela escritora após o falecimento da mãe, Camila, refereiu ter retratado no livro o momento em que precisou assumir a responsabilidade de cuidar dos irmãos.
“No meu livro, quis contar a vivência após o falecimento da minha mãe, quando tive que assumir a responsabilidade pelos meus irmãos”, afirmou.
“A minha maior motivação para publicar este livro foi, primeiramente, contar a minha história e inspirar mulheres e meninas aqui em São Tomé, para que aquelas que passaram ou ainda passam por situações semelhantes não desistam”, acrescentou.
Afonso apontou que a falta de orientação e apoio tem condicionado os jovens escritores, dificultando a produção e o lançamento de livros em São Tomé e Príncipe. Uma situação, que de acordo com a escritora, limita a divulgação das obras e “desmotiva novos talentos literários”.
A jovem realçou inclusive o poder da literatura no processo de empoderamento feminino e os desafios que as mulheres escritoras enfrentam em São Tomé e Príncipe.
“A sociedade subestima muito a força das mulheres, principalmente a determinação delas em prosseguir em busca dos seus sonhos, apesar das adversidades. […] A literatura é um espaço, principalmente aqui em São Tomé, muito dominado pelos homens. Normalmente, quando surge uma mulher querendo escrever e publicar livros, as pessoas não dão muito crédito”, explicou.
“A literatura tem um poder muito grande de influenciar, educar, incentivar e inspirar. É uma ferramenta poderosa que pode servir para dar voz e contar histórias de mulheres que merecem ser ouvidas”, citou.
Ao longo da entrevista, Camila falou sobre as dificuldades enfrentadas durante o processo criativo e como a escrita a ajudou a lidar com os próprios sentimentos relacionados à perda e a outros assuntos pessoais.
