O Sindicato dos Trabalhadores da EMAE (SEMAE) deu um ultimato de duas semanas ao Governo são-tomense para resolver a crise energética, sob pena de avançar com uma greve tendo em conta que as promessas de solução não cumpridas e os as ameaças que os trabalhadores têm sofrido no terreno.
O aviso foi feito pelo Secretário-Geral do Sindicato, Adélcio Costa, durante uma conferência de imprensa, onde manifestou o desagrado da organização face à falta de soluções concretas para o problema de energia no país.
“É verdade que nós fomos vendo tudo num silêncio, mas sempre procurando o diálogo, sempre procurando toda a forma de associar àqueles que têm vontade ou têm tentado alguma solução para podermos juntos ultrapassarmos a crise energética”, afirmou Adélcio Costa.
O sindicalista disse que tem “visto muito pouca vontade para solucionar de uma vez por toda a crise energética” o que leva o sindicato a “apresentar o seu desagrado” por julgar que o tempo que se passou “era suficiente para encontrar toda a solução para ultrapassar a crise energética”.
“Nunca da nossa história da EMAE, tivemos uma crise energética tão prolongada como nós estamos a ter agora”, afirmou.
O Secretário-Geral do SEMAE referiu-se ainda ao atraso na chegada dos geradores adquiridos pelo Governo como um dos principais entraves à normalização da produção de energia.
“Não podemos permitir mais nada, senão dar o Governo estas duas semanas para colocar estes geradores no país”, frisou Adélcio Costa.
Caso o Governo não consiga, dentro do prazo estabelecido, colocar os geradores em funcionamento e garantir uma produção energética que satisfaça a população, o sindicato admite recorrer a todos os mecanismos legais disponíveis, incluindo a convocação de uma greve.
“Se é para estar nessa situação, ou toda gente fica sem luz de uma vez, ou o Governo encontra uma solução mais rápida possível para poder fazer com que a produção de energia volta a aquilo que nós tínhamos no passado”, advertiu.
O sindicato condenou também a atuação do antigo Governo, liderado por Patrice Trovoada, responsabilizando-o pelo desmantelamento da antiga central de São Tomé, aquando da instalação da central da Tesla, sem consulta prévia aos técnicos nem ao sindicato.
Segundo Adélcio Costa, relatórios técnicos já alertavam para a necessidade de manutenção dos geradores existentes, mas essas recomendações não foram tidas em conta.
“O que nós vimos é o desmantelamento da central de São Tomé. O que nós, na altura, fizemos foi agir e procurar de todas as formas encontrar diálogo, e na altura foi-nos negado o diálogo”, disse.
O sindicalista condenou a forma como foi conduzido o desmantelamento da central de São Tomé e afirmou que a crise energética no país já ultrapassou todos os limites.
O sindicato manifestou ainda preocupação com a segurança dos trabalhadores da EMAE, alertando para o risco de violência por parte da população, como já aconteceu no passado em contextos de crise energética. Segundo o líder sindical, já existem sinais de tensão em algumas localidades.
“Então, para que a situação não agudize mais, nós estamos a apelar ao Governo que tudo possa fazer para repor a produção energética e contar com a nossa colaboração para poder ajudar a resolver o problema da energia”, concluiu Adélcio Costa.
