Djamila Bragança é inspetora e primeira mulher a assumir o cargo de diretora-adjunta da Polícia Judiciária de São Tomé e Príncipe, função que diz que a competência e o seu interesse na área foram fundamentais para a sua progressão e o histórico como polícia.
“Eu acredito que a competência, o interesse que eu tive sempre, desde o início, é que foram fundamentais para a minha progressão e o meu histórico como polícia. Por isso, ser mulher não influenciou de maneira nenhuma”, disse em entrevista ao Programa Mulher na Liderança, na RSTP.
Djamila Bragança foi nomeada diretora-ajunta da PJ em 2023, e chegou a assumir o cargo de diretora adjunta durante cerca de três meses, entre setembro e novembro do ano passado, durante o processo de substituição do diretor da instituição.
Segundo referiu, a Polícia Judiciária tem um regulamento interno que distribui a carga dos trabalhos de forma equitativa, independentemente do género da pessoa, mas até ao memento as mulheres representam apenas 40% dos funcionários.
Durante os 18 anos que tem desempenhado a profissão, a líder verifica uma mudança positiva e gradual que tem ocorrido na instituição.
“É primeira vez que a Polícia Judiciária tem chefes mulheres em São Tomé e Príncipe […] afinal, não há nada que o homem pode fazer que a mulher não pode”, comentou a líder.
No entanto, a inspetora da PJ, revelou que o lugar das mulheres continuam a ser postas à prova todos dias em vários setores de São Tomé e Príncipe, incluindo na Polícia Judiciária.
“Mulher é muito descredibilizada, ou seja, acham que a mulher é incapaz, principalmente os colegas homens e entretanto, a luta, o desafio é todos os dias, independentemente de teres a consciência e reconhecimento como pessoa competente, […] tens que lutar diariamente para provar que tu és boa”, disse.
Embora perante os desafios, a Djamila não se retardou em alcançar o seu sonho de infância de fazer parte da área da justiça e diz que as mulheres desempenham um papel fundamental na instituição.
“A mulher tem um papel fundamental, porque ela, por natureza, tem o dom de organizar e a ‘mania’ da perfeição. E o fato também de […] não acreditarem que a mulher é capaz de ser polícia, por si só é um fator que a motiva a querer demonstrar todos os dias que ela é competente”, acrescentou.
Djamila Bragança destacou ainda que a persistência, a coragem e o profissionalismo têm sido fundamentais para que as mulheres exerçam a justiça, sobretudo nos casos de violação sexual.
A líder deixou uma visão clara para São Tomé e Príncipe com mulheres na liderança.
“Eu acho que nós podemos construir um país mais seguro, um país mais organizado, um país onde o respeito pelos outros é observado e respeitado”, defendeu.
