São Tomé e Príncipe acolheu, durante dois dias, a primeira Conferência de História, sob o lema “Os Sentidos da Escravidão: Escravatura e Trabalho Forçado em São Tomé e Príncipe”, um encontro que reuniu historiadores nacionais e internacionais, estudantes e membros da sociedade civil, num espaço de reflexão crítica e “revisitação histórica”.
Na abertura, a ministra da Educação, Isabel Abreu, destacou a importância do evento enquanto “espaço de diálogo e partilha de conhecimento”, sublinhando a necessidade de revisitar o passado com responsabilidade e sentido pedagógico.
“Este colóquio constitui, por isso, um espaço privilegiado de encontro e de cruzamento de saberes, experiências e perspetivas nacionais e internacionais, permitindo-nos revisitar a história. Não com o propósito de reabrir feridas, mas com a responsabilidade de as compreender, conhecer e transformar em aprendizagem coletiva”, afirmou.

A conferência contou igualmente com contributos de investigadores e arqueólogos, que ajudaram na compreensão dos processos de adaptação e resistência das populações escravizadas em São Tomé e Príncipe, através da análise da cultura material.
“Estou interessada em perceber como as pessoas que foram trazidas para São Tomé, de forma violenta, conseguiram ajustar-se umas às outras e como podemos ver isso na cultura material, como, por exemplo, naquilo que as pessoas comem”, explicou a arqueóloga e investigadora Maria das Dores.
De acordo com o diretor do Museu Nacional, Gilson da Conceição, o debate sobre a escravatura e a sua abolição exige uma leitura ampla e contextualizada dos conceitos, de modo a compreender melhor os seus impactos no presente.
“Temos de procurar entender os diversos sentidos do termo escravização e do termo abolição, para podermos perceber melhor o presente”, sublinhou.

Gilson da Conceição, acrescentou ainda que apesar da dureza dos acontecimentos históricos, é fundamental que os africanos assumam uma postura oposta da vitimização.
“O que aconteceu no passado foram acontecimentos extremamente difíceis, como todos nós sabemos, mas não podemos dizer que continuam a perpetuar-se. Porque nós, africanos, não podemos vitimizar-nos dos males que já passaram”, acrescentou.
A Primeira Conferência de História insere-se nas comemorações dos 150 anos da abolição da escravatura, promovendo uma reflexão crítica sobre o passado e incentivando o diálogo entre a academia e a sociedade civil.