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Carnaval tradicional anima público na Casa da Cultura e reforça apelo à preservação

A Casa da Cultura acolheu mais uma noite do “Tlundu”, Carnaval tradicional são-tomense, numa iniciativa que reuniu vários grupos culturais que apelaram à valorização desta manifestação cultural em via de extinção.

Ao som de músicas e encenações que retratam episódios do quotidiano, os grupos participantes arrancaram risos e aplausos da plateia, numa celebração que alia entretenimento à transmissão de mensagens sociais.

O grupo Fonopele de Ribeira Afonso, representado por Osvaldo Lourenço, destacou que as apresentações vão além do humor.

 “É conselho”, afirmou, Osvaldo Lourenço, sublinhando que os temas abordam situações do dia a dia com o objetivo de sensibilizar a comunidade.

O público manifestou satisfação com a organização do evento e com os conselhos transmitidos através das atuações, considerando a iniciativa importante para manter viva a identidade cultural são-tomense.

Apesar da adesão registrada, artistas manifestaram preocupação com o alegado desinteresse de parte da população, sobretudo dos jovens, na valorização do Carnaval tradicional. Segundo vários intervenientes, há o receio de que a tradição venha a enfraquecer caso não haja maior envolvimento das novas gerações.

“Esta cultura está se perdendo, os jovens não querem mais aprender sobre o carnaval tradicional, só querem o carnaval Brsileiro, de correr para cima e para baixo, o nosso próprio está se perdendo”, lamentou António, membro do grupo Benguela de Palha.

O diretor da Casa da Cultura afirmou que a instituição tem procurado criar mecanismos para preservar esta manifestação cultural, classificada como património imaterial, mas reconheceu que o esforço deve ser partilhado com as comunidades.

“Se a comunidade não se envolver, o estado não poderá fazer nada”, salientou Emir Boa Morte, diretor da Cultura.

Os grupos culturais deixaram ainda apelos à Casa da Cultura e às autoridades para maior apoio logístico e financeiro, defendendo melhores condições para ensaios e apresentações, bem como incentivos que estimulem a participação de mais formações.

A noite de Carnaval tradicional voltou assim a marcar a terça-feira que antecede a Quaresma em São Tomé e Príncipe, reafirmando-se como espaço de celebração, crítica social e defesa da identidade cultural do país.

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