O cidadão sueco que detinha passaporte diplomático são-tomense como conselheiro especial do Presidente da República, Carlos Vila Nova, acaba de ser entregue pela Polícia Judiciária ao Ministério Público.
O cidadão saiu da PJ às 16:40, com o rosto coberto por um casaco preto, e foi conduzido pelos inspetores do Polícia Judiciária numa carinha até as instalações do Ministério Público onde deveria ser ouvido.
O advogado e ex-primeiro-ministro Gabriel Costa está na defesa do sueco procurado pela Interpol e que foi detido na ilha do Príncipe, no domingo.
A detenção ocorreu horas após circularem informações nas redes sociais de que uma equipa da Interpol teria estado em São Tomé para a captura do conselheiro, o que a fonte judiciária negou, assegurando que existe uma brigada da Interpol que funciona na PJ são-tomense e que coordenou a detenção.
A Presidência da República também reagiu através de um comunicado publicado no Facebook, mas sem referir dados sobre o indivíduo, nem a data da sua nomeação.
“Em data posterior à nomeação de um determinado indivíduo como Conselheiro Especial do Presidente da República, a Presidência da República foi informada pelo próprio de que decorria num país estrangeiro um processo judicial de foro estritamente pessoal e em tudo alheio às funções que desempenhava junto à Presidência, em que o nome do mesmo era citado”, lê-se no comunicado.
Na nota refere-se ainda que, depois desta informação,“o Presidente da República decidiu exonerar o indivíduo em causa das funções de Conselheiro Especial, o que fez através do Decreto Presidencial n.º 06/2026, de 04 de fevereiro”.
Segundo uma fotografia do passaporte diplomático que circula nas redes sociais, o homem chama-se Carlsson Stig Karl-Magnus, nasceu em 08 de janeiro de 1964 e tem nacionalidade sueca.
O passaporte diplomático tem a data de emissão em 05 de dezembro de 2025 e é válido até 04 de dezembro de 2030.
Já em abril de 2022, numa situação semelhante, o Presidente República exonerou um conselheiro especial, de nacionalidade alemã, face às notícias do seu alegado envolvimento em tráfico de influências.
Na altura, o chefe de Estado são-tomense justificou a decisão com a necessidade de “acautelar a imagem externa” de São Tomé e Príncipe face às notícias que indicavam que o exonerado se encontrava “sob processo de investigação”.
Stephan Welk havia sido nomeado em 27 de janeiro do mesmo ano, para prestar “informações técnicas especializadas” a Carlos Vila Nova, no âmbito das relações internacionais, para lhe permitir, “em concertação com o Governo, encontrar mecanismos plausíveis que possibilitem a busca de melhores soluções para o desenvolvimento socioeconómico do país”, de acordo com o decreto presidencial de nomeação.
