O membro da Associação de Guias de Turismo de São Tomé e Príncipe, Walter Martinho, alertou para o aumento guias ilegais no país e defendeu maior fiscalização das autoridades para proteger a profissão e garantir a qualidade do serviço prestado aos visitantes.
Em entrevista à RSTP, por ocasião do Dia Internacional dos Guias de Turismo, assinalado a 21 de fevereiro, Walter afirmou que “não existe turismo sem os guias de turismo”, sublinhando o papel fundamental destes profissionais na promoção e valorização do destino turístico.
Segundo Walter, a Associação de Guias de Turismo de São Tomé e Príncipe foi criada em 2012 com o objetivo de formar, capacitar, credenciar e valorizar os profissionais da área. Atualmente, a organização conta com cerca de 50 associados.
“O guia de turismo precisa de formação porque lidamos com pessoas que vêm do internacional. É sempre importante estarmos bem preparados, com as melhores técnicas e éticas internacionais, para corresponder às expectativas dos turistas”, afirmou.
O responsável explicou que os guias que exercem a atividade sem formação e sem credenciação estão a atuar de forma ilegal, situação que, segundo disse, tem vindo a aumentar nos últimos anos.
“Há mais de cinco anos que muitos guias de turismo não credenciados têm invadido o território nacional e trabalhado, o que é desagradável para a associação”, afirmou, acrescentando que já foram enviadas cartas de repúdio às autoridades reguladoras.
Martinho denunciou ainda que alguns cidadãos estrangeiros, sobretudo portugueses, entram no país com visto de turismo e acabam por exercer a atividade de guia de turismo.
“Essas pessoas vêm com vistos de turismo e exercem aqui funções de guia, o que é incompatível. Além disso, muitos nem conhecem bem o país”, referiu.
Walter recordou também um incidente ocorrido na estrada do sul do país que resultou na morte de uma turista, defendendo que a situação esteve relacionada com a atuação de guias não credenciados.
Para o guia, estas práticas têm contribuído para a desvalorização da profissão e para a diminuição da qualidade do serviço turístico no arquipélago e apelou às autoridades competentes para que reforcem a fiscalização e tomem medidas que permitam regular o exercício da atividade.
Walter Martinho defendeu ainda que o recurso a guias de turismo não deve ser limitado apenas aos visitantes estrangeiros, mas também incentivado entre os próprios cidadãos nacionais, como forma de promover melhor conhecimento do património do país.
