O Instituto de Habitação e Imobiliária (IHI) assegurou que o projeto habitacional que será desenvolvido em Micoló, no distrito de Lobata, para a construção de 160 apartamentos, incluiu a possibilidade de compra dos apartamentos através de crédito à habitação com prazos até 20 anos e com possibilidade de compra por são-tomenses residentes no país, na diáspora e também por investidores estrangeiros.
Os detalhes da iniciativa foram apresentados durante uma entrevista concedida à RSTP pelo presidente do Instituto de Habitação e Imobiliária, José Rita, e pelo investidor José Condesso, que explicaram o modelo de financiamento, a forma de comercialização das casas e o plano de execução do empreendimento.
Segundo José Rita, a sua instituição é responsável pela gestão do património habitacional do Estado e pela definição da política habitacional em São Tomé e Príncipe, admitindo que, o país enfrenta há vários anos um “défice significativo de habitação”, especialmente entre os jovens.
“Esperar apenas pelo Estado tornaria muito difícil resolver o défice habitacional. Por isso apostamos numa parceria público-privada, onde o Estado disponibiliza o terreno e o investidor entra com o financiamento e a construção”, explicou José Rita.
O projeto será desenvolvido num terreno já urbanizado em Micoló, inicialmente preparado no âmbito do projeto ACRE para reassentamento de famílias que viviam em zonas de risco na zona costeira.
Uma das principais novidades do modelo apresentado é a utilização de crédito habitação com prazos até 20 anos, permitindo que os compradores paguem os apartamentos em prestações ao longo do tempo.
Segundo José Rita, o instituto está a negociar com um banco parceiro para garantir condições de financiamento mais acessíveis, nomeadamente em relação à taxa de juro, de forma a facilitar o acesso das famílias.
“Queremos garantir um preço que seja suportável para os são-tomenses, para que mais pessoas possam realizar o sonho de ter uma casa própria”, explicou.
O processo deverá passar pela avaliação da capacidade financeira dos interessados por parte do banco, podendo os pedidos de crédito ser apresentados diretamente à instituição bancária ou através do instituto.
Os apartamentos poderão ser adquiridos por cidadãos são-tomenses residentes no país, membros da diáspora e também por estrangeiros interessados em investir ou residir em São Tomé e Príncipe.
Apesar da abertura a compradores estrangeiros, José Rita garantiu que haverá atenção especial aos são-tomenses, sobretudo no que diz respeito à definição dos preços das habitações. Segundo explicou, o objetivo é garantir que os valores sejam compatíveis com a realidade económica do país.
Por outro lado, o investidor José Condesso explicou que a construção deverá avançar de forma progressiva. O projeto prevê inicialmente a construção de dez edifícios, mas o ritmo de execução dependerá da procura e da velocidade de venda dos apartamentos.
“O que está garantido é que vamos começar a construir. Depois vamos avaliar a dinâmica das vendas para decidir se avançamos logo com mais dois ou três edifícios ao mesmo tempo”, afirmou.
O prazo estimado para a conclusão global do empreendimento é de até 72 meses, podendo variar em função da evolução das obras e da disponibilidade de materiais, tendo em conta as limitações logísticas associadas ao transporte para o arquipélago.
De acordo com o investidor, os apartamentos deverão ser entregues com alguns equipamentos básicos já incluídos no preço, nomeadamente “frigorífico, forno, placa de gás e exaustor”.
Os pisos das áreas principais terão “chão flutuante”, enquanto cozinhas e casas de banho terão revestimento cerâmico. Os edifícios serão construídos com estrutura preparada para instalação futura de elevadores, embora estes não sejam instalados numa primeira fase devido aos custos adicionais e às atuais limitações no fornecimento de energia.
O presidente do Instituto de Habitação e Imobiliária revelou ainda que esta iniciativa poderá abrir caminho para novos projetos habitacionais noutras zonas do país.
José Rita adiantou que já existe um plano mais ambicioso denominado “Centralidade de Ferreira do Governo”, que prevê a construção de cerca de 80 habitações, além de infraestruturas como escolas, bombeiros e espaços comerciais.
Para o responsável, aumentar a oferta de habitação é fundamental para responder às necessidades da população e reduzir a pressão sobre o mercado imobiliário.
“Se conseguirmos mostrar que este modelo funciona, outros investidores poderão também acreditar e trazer mais projetos para São Tomé e Príncipe”, afirmou.
Os dois responsáveis reconheceram que parte da população manifesta dúvidas quanto à concretização de projetos desta natureza, tendo em conta experiências anteriores que não avançaram, por isso, apelou.
“Sabemos que muitas pessoas perderam a crença por causa de projetos que ficaram pelo caminho. Mas precisamos acreditar que é possível fazer diferente e dar passos concretos para melhorar a situação da habitação no país”, concluiu José Rita.
O início do processo de venda dos apartamentos deverá ser anunciado nos próximos meses, após a conclusão dos procedimentos administrativos e a formalização dos acordos com as instituições bancárias.