Poeta e ativista Raquel Lima vence Prémio Emma Goldman 2026 em Viena

Raquel Lima é a primeira intelectual portuguesa, angolana e são-tomense a receber o Prémio Emma Goldman, reconhecimento pelo seu trabalho artístico, académico e ativista em prol da igualdade e da justiça social.

Lusofonia -
Raquel Lima

A poeta e ativista de origem são-tomense e angolana, Raquel Lima foi uma das vencedoras do Prémio Emma Goldman 2026, no valor de 50 mil euros, que distingue “realizações excecionais e contributos relevantes na investigação sobre feminismo e desigualdade”.

O anúncio foi feito, através de um comunicado enviado à RSTP, pela própria premiada, que confessou estar ainda “a vibrar e a processar esse acontecimento”, especialmente por se tornar a primeira intelectual portuguesa, angolana e são-tomense a receber esta nomeação.

Este prémio faz-me acreditar em mim e no mundo, e que onde há luta há esperança”, disse.

Além de Raquel Lima, a académica e jornalista afro-brasileira residente em Portugal Ionara Silva, investigadora na Universidade Lusófona e jornalista do Público Brasil, recebeu o Prémio Emma Goldman Snowball, que atribui um montante de 10 mil euros, destinado a apoiar investigadores emergentes e projetos em desenvolvimento.

A entrega dos prémios é feita anualmente em Viena, na Áustria, pelos organizadores do certame, o IWM – Institute for Human Sciences e a Flax Foundation, uma organização independente sediada nos Países Baixos.

Segundo os organizadores, os prémios distinguem académicas empenhadas em questões relacionadas com o feminismo e a desigualdade na Europa, apoiando investigação, desenvolvimento e práticas inovadoras.

O mais interessante é que o prémio valoriza também a pesquisa artística e as práticas ativistas, e por isso respeita a multiplicidade de encruzilhadas que atravessamos, e recomenda-nos a reivindicar o nosso tempo. Fora das lógicas competitivas da academia e do neoliberalismo, este prémio é um convite à desaceleração e ao autocuidado, não fosse a Emma Goldman uma anarquista”, afirmou Raquel Lima em nota enviada à RSTP.

Os prémios reconhecem trabalhos que dialogam com justiça social, direitos humanos, liberdade e crítica a sistemas de opressão, valorizando o legado da própria Emma Goldman, considerada uma das figuras mais importantes do anarquismo americano e do início do movimento pela paz.

O Prémio Emma Goldman principal distingue contributos já consolidados e de grande impacto, enquanto o Prémio Snowball funciona como impulso para investigadores emergentes, ajudando-os a desenvolver projetos relevantes em áreas como feminismo, desigualdade e ativismo social.

Este ano, além de Raquel Lima e Ionara Silva, foram reconhecidas outras 15 académicas e ativistas.

Nascida em 1983, Raquel Lima é poeta, arte-educadora e investigadora de Estudos Pós-Coloniais. Licenciou-se em Estudos Artísticos pela Universidade de Lisboa e é doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global na Universidade de Coimbra.

Fundou a Associação Cultural Pantalassa, para promover as artes afrodiaspóricas de língua portuguesa, e coordenou o PortugalSLAM – Festival Internacional de Poesia e Performance entre 2012 e 2017. Em 2021, cofundou a associação UNA – União Negra das Artes, com o objetivo de divulgar e promover a representatividade negra nas artes e cultura em Portugal.

Em 2023, foi uma das artistas portuguesas escolhidas para representar Portugal na 35ª Bienal de São Paulo.

Desde 2020, os Emma Goldman Awards são atribuídos anualmente a candidatos selecionados residentes na Europa, independentemente da sua cidadania ou estatuto migratório, destacando-se pela combinação de rigor académico, compromisso social, ativismo e pesquisa artística.

Fonte: Observador

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