O pescador Aílton Bom Jesus, residente em Praia Melão, passou horas à deriva em alto-mar, enfrentando frio e cansaço extremos, numa situação que evidencia os riscos assumidos diariamente por pais que vivem da pesca, mas que, ainda assim, com determinação, permanecem firmes em busca do sustento das suas famílias.
Pai de família e residente em Praia Melão, Aílton saiu cedo para pescar, sem imaginar que, horas depois, estaria à deriva, com um colega, exposto ao frio, ao cansaço e à força implacável das ondas.
“Eu não estava à espera daquele mar”, contou, ao lembrar o momento em que a situação mudou repentinamente.
A embarcação foi dominada pelo mau tempo e os dois pescadores acabaram por se agarrar ao que restava da estrutura, parcialmente submersa.

Com o cair da noite, o cenário tornou-se ainda mais difícil.
“O mar estava muito bravo e nós começámos a perder forças”, relatou, descrevendo horas de incerteza em pleno oceano.
Entre o desgaste físico e o medo, a resistência foi essencial.
“Com tanto sofrimento, só pensávamos em sobreviver”, disse.
Já ao amanhecer, um sinal de esperança surgiu no horizonte. Algumas canoas aproximavam-se ao longe e, com as poucas forças restantes, Aílton tentou chamar a atenção.
“Quando vimos as canoas, fizemos sinal para nos verem”, recordou.

Os dois pescadores foram resgatados e encaminhados para uma unidade hospitalar, onde receberam assistência médica.
“Graças a Deus conseguimos sair com vida”, afirmou.

A situação expõe os perigos enfrentados diariamente pelos pescadores em São Tomé e Príncipe.
Para Aílton, a experiência deixou marcas, mas reforça também a razão que o leva, todos os dias, ao mar; a responsabilidade de sustentar a sua família.