O ex-ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Abel Bom Jesus, fez duras críticas ao Presidente da República, Carlos Vila Nova, chamando-o de “covarde e medroso” por não “conseguir tomar decisões” no exercício das suas funções e acusou o chefe de Estado de promover perseguições políticas.
“O Presidente Carlos Vila Nova é tão covarde, tão medroso […] eu não conheço nenhum político em São Tomé mais medroso que o Presidente Vila Nova”, declarou.
“O poder que o senhor tem não é o seu, é o poder que lhe foi conferido pelo povo para fazer bem ao povo, não é para perseguir, não é para humilhar, não é para massacrar”, acrescentou.
Abel Bom Jesus, acusou ainda o Presidente da República, de estar ligado a “acontecimentos macabros” no país, e afirmou que não pretende insultar o chefe de Estado.
“Todos os acontecimentos macabros que têm estado a acontecer em São Tomé e Príncipe, tem o dedo do Presidente Vila Nova, eu digo e assumo, eu não estou aqui para lhe insultar, não vim aqui insultar o Presidente, porque querendo ou não o senhor ainda nos representa”, declarou.
Abel Bom Jesus questionou também a atuação do chefe de Estado e a forma como exerce o poder.
“O poder foi dado para fazer o bem, e eu já vos disse, podem me perseguir, vocês sabem quem é Abel Bom Jesus, eu não desisto daquilo que eu quero, e como a moeda tem duas faces, hoje o senhor está nessa posição, e quem lhe garante amanhã o senhor estará?, então pense e repense, o senhor é Presidente da República, o mais alto magistrado da nação, deveria ser o exemplo para muitos de nós”, disse.
O ex-governante comparou ainda o atual momento político com o período governativo de Jorge Bom Jesus, afirmando que a situação atual é mais grave.
“Eu fui perseguido no governo de Jorge Bom Jesus, mas eu confesso-vos que não foi o que nós estamos a viver agora, porque o Presidente Vila Nova é muito mais fraco ainda do que Jorge Bom Jesus”, referiu.
“Porque ele [Presidente da República] não consegue controlar as suas emoções, não consegue tomar as decisões, não consegue acima de tudo aproveitar as oportunidades que ele está a ter. Tirou o Patrice Trovoada, tudo bem, mas prova ao povo que o problema é o Patrice Trovoada, não conseguiu, agora está a perseguir Patrice Trovoada para não entrar no país”, adiantou, sublinhando que os cargos políticos “não são vitalícios” e devem refletir a alternância de poder no Estado.
Além de criticar o chefe de Estado, Abel Bom Jesus, foi mais longe e criticou também as decisões do Tribunal Constitucional e a atuação de forças políticas, acusando partidos como o MLSTP BASTA, bem como alguns membros da ADI que apoiam o atual governo, de influenciarem interpretações da lei.
“O atual presidente do Tribunal Constitucional sabe, e se não sabe deveria saber que o poder desgasta, o senhor esteve lá no Tribunal de Contas, houve o que houve, o senhor foi substituído, mas o senhor não morreu, o senhor continua a trabalhar, a levar a sua vida”, precisou.
“Porque muitos são-tomenses não entendem até hoje é que o cargo de chefia não é vitalício, depende ou da situação política ou do tempo que você está lá para cumprir, é isso”, completou.