Governo acelera Estatuto do Emigrante Investidor para mobilizar potencial económico da diáspora

O Governo comprometeu-se a avançar rapidamente com a operacionalização do Estatuto do Imigrante Investidor, numa tentativa de transformar a diáspora num verdadeiro motor de investimento produtivo e de crescimento económico para São Tomé e Príncipe.

Economia -
Imigrante

O Governo são-tomense anunciou a aceleração da implementação do Estatuto do Emigrante Investidor, um instrumento legal criado para mobilizar o potencial económico da diáspora e incentivar o investimento dos são-tomenses residentes no estrangeiro no desenvolvimento nacional.

A decisão foi reforçada durante um atelier interinstitucional que reuniu membros do Executivo, representantes de instituições públicas, setor privado e membros da diáspora, num debate centrado nos desafios e nas condições necessárias para tornar o mecanismo plenamente operacional.

Na sessão de abertura, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilza Amado Vaz, sublinhou a importância estrutural da migração para o país, referindo que cerca de 18% da população são-tomense reside atualmente no exterior, uma percentagem que tende a aumentar.

O fenómeno migratório constitui hoje uma realidade estrutural da nossa sociedade, com implicações económicas, financeiras, sociais e culturais, e de forma transversal ao nível da sustentabilidade. Impõe-se, assim, o seu pleno reconhecimento como parte integrante do nosso presente e do nosso futuro comum, através da definição e implementação de políticas públicas coerentes, informadas e eficazes”, afirmou a ministra.

A governante destacou que a diáspora são-tomense representa não apenas “uma comunidade de afetos”, mas “um pilar estruturante da resiliência nacional e do crescimento económico” do país

A diáspora são-tomense constitui a nossa extensão além-fronteiras, verdadeiros embaixadores da nossa cultura e identidade, e é simultaneamente detentora de um capital humano, financeiro e de conhecimento que o país não pode continuar a subaproveitar”, admitiu.

Entre as medidas já em curso, apontou a criação de mecanismos de facilitação de documentos, melhorias no acesso consular e a preparação de uma Estratégia Nacional de Migração e Desenvolvimento 2026–2030.

As remessas não se destinam apenas ao sustento das famílias, mas assumem igualmente um papel estratégico no investimento, podendo ser canalizadas para a melhoria das condições de vida da população e para o financiamento de projetos e iniciativas produtivas, contribuindo para o reforço da estabilidade económica e financeira de um país”, afirmou.

Entretanto, em São Tomé e Príncipe, essa grande potencialidade não tem sido capitalizada, pois estima-se que a contribuição financeira da nossa diáspora para o desenvolvimento nacional é inferior ao seu potencial, representando atualmente menos de trezentos euros anual por imigrante”, acrescentou a ministra.

Segundo Ilza Amado Vaz, “esta situação resulta, por um lado, do fraco nível de escolaridade de competências profissionais da maioria da diáspora são-tomense, da prevalência de empregos precários e de baixos rendimentos, e está também associada às burocracias administrativas, dificuldades no envio das remessas, à limitada acessibilidade aos bancos e operadores de transferências, custos elevados, sendo que as taxas de envio são superiores às médias globais e regionais”.

Perante esta realidade, integrar a emigração no centro das políticas públicas é mais do que uma opção estratégica. É um compromisso com a inclusão e com a criação de condições que facilitem a participação de todos no progresso do país”, defendeu.

O ministro do Estado, Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, foi mais incisivo quanto ao ritmo de execução da lei, criticando a demora na sua aplicação desde a aprovação inicial em 2022 e atualização em 2024.

O governante anunciou a criação de uma comissão técnica com várias entidades públicas e privadas, incluindo autoridades aduaneiras, administração fiscal, bancos, organismos de promoção de investimentos e representantes da diáspora.

Segundo o ministro, o objetivo é operacionalizar o Estatuto do Emigrante Investidor num prazo máximo de 90 dias, defendendo que os imigrantes devem poder investir no país sem necessidade de retorno físico definitivo.

Nós não estamos a precisar que o emigrante regresse definitivamente. O que nós precisamos é que enquanto ele tiver esse estatuto de imigrante, ele possa investir no seu país sem ter que necessariamente regressar ao seu país”, afirmou.

É preciso nós contarmos com todos nesse processo e a partir de hoje só nos restam um máximo de oitenta e nove dias para que possamos, de facto, levar aos nossos investidores tudo aquilo que nós temos vindo a falar desde 2022 e que até hoje não se fez nada para o nosso emigrante”, assegurou.

Por outro lado, o representante dos emigrantes, João Vieira considerou a iniciativa “louvável, mas tardia”, sublinhando que as remessas enviadas para o país raramente passam pelo sistema bancário formal devido à falta de incentivos e mecanismos adequados.

O representante da diáspora destacou que grande parte das transferências ocorre por vias informais, através de familiares ou cambistas, o que limita o impacto direto na economia nacional.

Todos nós estamos conscientes de que as remessas dos emigrantes não entram na economia do país porque o sistema financeiro não dispõe de mecanismos que incentivem a sua canalização por essa via. Portanto, hoje, a esmagadora maioria, senão todos os emigrantes que enviam dinheiro para São Tomé e Príncipe, não o fazem através dos bancos, mas sim por intermédio de familiares, amigos ou dos cambistas que operam na rua”, vincou.

Assim, se esta iniciativa puder ajudar a reduzir esse défice e permitir que os recursos enviados pelos emigrantes passem pelo sistema económico formal e beneficiem o país, será certamente bem-vinda. No entanto, é fundamental que existam incentivos”, avançou.

Vieira defendeu ainda maior inclusão da diáspora na definição do regulamento do estatuto, alertando para a necessidade de representação dos principais polos migratórios, como Lisboa, Luanda e Reino Unido.

Durante o evento foi apresentado um conjunto de recomendações para melhorar a eficácia da implementação do Estatuto do Emigrante Investidor, com destaque para o reforço da coordenação interinstitucional entre entidades públicas e financeiras, bem como a criação de incentivos fiscais, administrativos e aduaneiros mais atrativos.

Foi igualmente sublinhada a importância da instituição de um registo nacional de migrantes investidores, que permita identificar beneficiários, acompanhar projetos e avaliar o impacto económico e social das iniciativas apoiadas.

Entre as propostas consta ainda a necessidade de uma estratégia de comunicação dirigida à diáspora, através das embaixadas, consulados e plataformas digitais, de forma a garantir maior divulgação e adesão ao estatuto.

Por fim, foi defendida a implementação de mecanismos permanentes de monitorização e avaliação, considerados essenciais para assegurar a eficácia das políticas públicas e o impacto real do estatuto no desenvolvimento sustentável do país.

O Governo comprometeu-se a avançar rapidamente com a operacionalização do Estatuto do Imigrante Investidor, numa tentativa de transformar a diáspora num verdadeiro motor de investimento produtivo e de crescimento económico para São Tomé e Príncipe.

Últimas

Topo