Uma antiga oficina de serralharia em Água Izé, no distrito de Cantagalo, continua a resistir à passagem do tempo, apesar do avançado estado de degradação dos equipamentos e da falta de recursos para a sua manutenção, pelo que os moradores apelam à sua requalificação.
O espaço, cuja origem remonta ao período colonial, foi durante décadas um importante centro de produção e reparação, desempenhando um papel relevante na atividade económica da comunidade e na formação de várias gerações de serralheiros locais.
“Este espaço já teve muita importância para a comunidade, me lembro dessas máquinas funcionando”, recordou Anilson Lima, residente em Água Izé desde a infância, ao recordar o tempo em que a oficina funcionava de forma plena e com elevada capacidade produtiva.
Após a independência de São Tomé e Príncipe, a infraestrutura foi entregue a serralheiros nacionais, que continuam a assegurar o funcionamento do local, ainda que com limitações crescentes.
Atualmente, o estado de conservação das máquinas é considerado crítico, afetando diretamente a qualidade e a regularidade dos trabalhos realizados.
“No momento, trabalhar aqui tornou-se muito difícil, as máquinas aqui não sofreram qualquer manutenção”, referiu o morador, apontando a degradação dos equipamentos como um dos principais entraves à atividade.
A falta de meios financeiros para a manutenção e modernização das infraestruturas tem agravado a situação, colocando em risco a continuidade da oficina, que ainda serve de sustento para alguns profissionais da comunidade.
Perante este cenário, Anilson Lima apelou à intervenção das autoridades e de parceiros institucionais para a reabilitação do espaço, defendendo que a sua recuperação é essencial para preservar um património com valor histórico e social.
“Todos nós queremos ver este espaço melhorado”, afirmou, sublinhando a necessidade de criar condições dignas de trabalho e de garantir a continuidade de uma atividade com raízes profundas na história local.
A requalificação da oficina poderá, segundo moradores, contribuir não só para a preservação da memória coletiva de Água Izé, como também para a dinamização económica da comunidade.
