Projeto Saúde Para Todos considerou positivo o balanço de 2025, com a capacitação de seis especialistas nacionais, mas apontou desafios na coordenação e nos recursos humanos, apelando ao Governo por medidas que reforcem a eficácia das parcerias bilaterais.
O Projeto Saúde para Todos é implementado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr, em parceria com o Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe, financiado da Cooperação Portuguesa.
Ao longo dos anos, o projeto tem desenvolvido diversas ações, com destaque para a capacitação de quadros técnicos nacionais, a disponibilização de equipamentos e medicamentos ao país e o reforço dos cuidados especializados.
Neste âmbito, equipas médicas especializadas deslocam-se regularmente ao país para realizar consultas, intervenções cirúrgicas e ações de formação.
Segundo o médico e coordenador do projeto, António Lima, o balanço do projeto é positivo, destacando as ações de formação de médicos especialistas.
“Já conseguimos formar seis especialistas: dois em radiologia, um em ginecologia, um em gastroenterologia, um em oftalmologia e um em dermatologia, permitindo ao país reforçar a sua capacidade na prestação de cuidados de saúde”, afirmou.
Por sua vez, o ministro da Saúde, Celso Matos, destacou a importância da cooperação entre Portugal e São Tomé e Príncipe, sobretudo no reforço da capacidade técnica nacional através de especialistas portugueses que se deslocam ao país.

“Como todos sabemos, a nível mundial os financiamentos são cada vez mais reduzidos e todos os países enfrentam grandes dificuldades no setor da saúde. Portugal é o país que mais nos apoia nos casos mais graves. Muitas cirurgias que ainda não temos capacidade de realizar são asseguradas por especialistas portugueses que vêm ao país. Por isso, temos de trabalhar seriamente na transferência de competências”, sublinhou.
O projeto tem igualmente contribuído para o fortalecimento do sistema de saúde, com ações nas áreas de cuidados especializados, fornecimento de medicamentos para o combate às doenças não transmissíveis e formação contínua de profissionais nacionais.
Apesar do balanço positivo, António Lima considerou que ainda há desafios importantes a superar, defendendo a necessidade de maior compromisso governamental na implementação de políticas públicas.
“Os desafios são muitos, sobretudo ao nível da governação. Quando o país define políticas e estratégias e consegue colocá-las em prática, cria um ambiente favorável ao apoio dos parceiros. No entanto, quando essa base não é eficiente, os resultados ficam comprometidos”, afirmou.
Entre os principais constrangimentos apontados estão o défice de recursos financeiros com um orçamento considerado insuficiente para responder às necessidades dos utentes, a escassez de recursos humanos qualificados e a necessidade de melhorias no sistema de informação, de modo a garantir maior cobertura e eficiência no atendimento à população.