ADI apela militantes para não participarem nas reuniões promovidas por Américo Ramos e “elementos dissidentes”

Segundo o comunicado da ADI, o grupo liderado pelo primeiro-ministro são-tomense tem promovido “reuniões públicas fraudulentas, desprovidas de qualquer legitimidade orgânica, com intuito de induzir em erro os militantes e a opinião pública, arrogando-se competência que não detêm”.

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Rádio Somos Todos Primos

A Ação Democrática Independente (ADI) apelou hoje as seus militantes para se absterem de participar nas ações promovidas por Amério Ramos e “elementos dissidentes” do partido, e ameaçou apresentar uma queixa-crime contra o grupo que acusam de tentar impedir a participação da ADI nas próximas eleições legislativas.

Num comunicado lido hoje à imprensa, o porta-voz da ADI, Alexandre Guadalupe, disse que o partido “condena com veemência os atos ilícitos e politicamente subversivos praticados por elementos dissidentes” liderados por Américo Ramos.

Segundo o comunicado da ADI, o grupo liderado pelo primeiro-ministro são-tomense tem promovido “reuniões públicas fraudulentas, desprovidas de qualquer legitimidade orgânica, com intuito de induzir em erro os militantes e a opinião pública, arrogando-se competência que não detêm”.

“Estas ações configuram uma violação grave e reiterada do estatuto do partido, visando a convocação e realização de um pretenso congresso ilegal, à revelia dos órgãos competentes e da direção legitimamente constituída”, sublinhou o porta-voz da ADI, na leitura do comunicado.

Para o partido, as ações “configuram um novo partido” e pretendem a “criação de uma falsa narrativa e de mera fabricação artificial de um inexistente conflito interno, para iludir e até forçar a presença de militantes em sessões fantoches, usando mecanismos e cumplicidades no sistema judicial, com objetivo inequívoco de intimidar, confundir, comprometer, limitar e desesperadamente inviabilizar e impedir a participação do ADI nas próximas eleições legislativas, em clara afronta aos princípios do Estado de Direito Democrático”.

“A ADI reserva-se o direito de desencadear todos os mecanismos legais, judiciais e institucionais adequados à responsabilização civil, criminal e política dos autores materiais e morais destes atos, não excluindo a apresentação de queixas formais junto das instâncias competentes, nacionais e internacionais”, sublinhou.

“O partido emite um sério e inequívoco aviso a todos os militantes, simpatizantes e estruturas locais, para que se abstenham de participar ou colaborar em iniciativas que não sejam formalmente autorizadas pelos órgãos legítimos do partido ADI, sob pena de responsabilidade disciplinar e legal”, acrescentou Alexandre Guadalupe.

Enquanto candidato declarado a presidente da Ação Democrática Independente (ADI), Américo Ramos iniciou uma ronda de encontros em vários distritos do país e na ilha do Príncipe, com o objetivo de “ouvir, esclarecer e unir” o partido, e insiste na necessidade de realizar-se o “congresso eletivo já deliberado pelo Conselho Nacional”.

“Este é um movimento coletivo, com dirigentes, militantes e cidadãos comprometidos com um único objetivo: reforçar o ADI por dentro, com mais abertura, mais diálogo e mais democracia […] queremos deixar algo muito claro, a nossa luta não é contra pessoas. É a favor de princípios e do fortalecimento do nosso partido”, escreveu Américo Ramos nas redes sociais.

Após a demissão do Governo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025, Carlos Vila Nova rejeitou vários nomes propostos pela ADI e escolheu para primeiro-ministro o ex-secretário-geral do partido contra a indicação da direção da ADI, levando o partido a demarcar-se do Governo, e romper-se posteriormente com os seus elementos que o integraram.

A crise interna agravou-se após o Tribunal Constitucional suspender, no final de março, uma reunião do Conselho Nacional da ADI, na sequência de denúncias de alegadas violações dos estatutos apresentadas por militantes, entre os quais o próprio Américo Ramos.

São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 19 de julho e legislativas, autárquicas e regional em 27 de setembro.

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