Os enfermeiros de São Tomé e Príncipe reclamaram a falta de condições de trabalho e escassez de medicamentos no hospital, reforçando que “têm lutado bastante para salvar vidas”, mesmo sem o devido reconhecimento.
“Nós, os enfermeiros de São Tomé e Príncipe, salvamos vidas com a faca e o queijo na mão, mas sem condições. Lutamos bastante, damos a nossa vida, damos o nosso máximo, mesmo sem sermos reconhecidos”, frisou a enfermeira Elca da Cruz, que exerce a profissão há mais de dez anos.
A enfermeira, que falava no âmbito das celebrações do Dia Internacional do Enfermeiro, aproveitou a ocasião para ressaltar o empenho da classe, que “se tem dedicado diariamente a salvar vidas”, apesar da escassez de condições.

“Se tivermos melhorias, com a obtenção de consumíveis e medicamentos, muitas pessoas poderão ser salvas. […] Nesta fase estamos a enfrentar o desafio de não haver praticamente nada nos nossos hospitais. […] Não temos materiais para trabalhar. O nosso desafio é salvar doentes, e estamos a salvar inventando”, sublinhou.
O acto central das celebrações do Dia Internacional do Enfermeiro teve lugar na Ilha do Príncipe.
Recorde-se que, em alusão ao Dia Mundial da Saúde, o ministro da Saúde, Celso Matos, sublinhou que persistem “dificuldades financeiras para suprir o hospital, em quantidade e qualidade, de todos os equipamentos, medicamentos, consumíveis e reagentes necessários para a melhor assistência médica”.
Na altura, acrescentou ainda que o Governo tem assumido esse princípio no diálogo com os parceiros, de forma a permitir a transferência de capacidades para o país, “fazendo as melhores propostas, traçando as verdadeiras prioridades e propondo soluções sustentáveis e duradouras”, incluindo a necessidade de apostar seriamente na formação de especialistas “com recursos financeiros no país”.
Elca da Cruz acrescentou que os enfermeiros “têm lutado e conseguido salvar muitas vidas”, apesar dos desafios.
“Nós fazemos aquilo que devemos e temos de fazer. Muita gente fala mal de nós, mas damos o máximo. […] Nós lutamos e conseguimos salvar muitas vidas”, concluiu.