O ativista social e cantor são-tomense Apolinário Zeferino, conhecido artisticamente por Pindó, lançou recentemente o videoclipe “Mãe”, uma música de caráter social que alerta para a valorização das mães e o fim de maus-tratos contra idosos, sobretudo mulheres acusadas de feitiçaria.
Em entrevista ao programa “Em Entrevista”, o cantor explicou que a composição nasceu da necessidade de despertar a consciência da sociedade sobre a responsabilidade dos filhos para com as mães.
“Essa música, eu fiz questão de trabalhar nas letras dela […] esta música já vem num contexto mais sério”, afirmou.
Nascido em 1982, numa época marcada por cireses económicas em São Tomé e Príncipe, Pindó recordou o sofrimento vivido pela sua mãe, que, segundo disse, nunca abandonou os filhos apesar das adversidades.
“Eu já não tenho mãe […] se há ser humano que me fez ser aquilo que eu sou é a minha mãe”, declarou o artista.
Segundo Pindó, a inspiração para a música surgiu quando foi buscar a filha à escola. Durante o percurso, começou a improvisar a letra e a filha respondia-lhe em forma de ritmo.
“Quando comecei a criar a letra, eu fui cantando e ela foi respondendo. E numa dada altura ela começou a chorar, e eu também comecei a chorar porque fui lembrando da minha mãe e da importância que ela tinha para mim”, contou.
A música conta ainda com a participação do cantor Moreno, que, segundo Pindó, teve um papel importante no aperfeiçoamento da composição.
“É o meu guia, é o meu professor, cada vez que eu lhe apresento a minha música ele ajuda a melhorar a letra, me ajuda a escolher a melhor melodia, como posicionar a voz”, explicou, acrescentando que a parte interpretada por Moreno foi criada pelo próprio cantor.
Pindó afirmou que encara a música como uma forma de expressão pessoal e social, e não como uma atividade com fins lucrativos.
“Eu não sou cantor, gosto de brincar de cantor. Eu não faço música com intuito de ganhar dinheiro ou estar sempre no palco. Eu faço música porque é algo que veio para preencher um bocadinho daquilo que eu gosto de fazer”, disse.
O artista sublinhou que “Mãe” pretende alertar para situações de abandono e violência contra mulheres idosas, frequentemente acusadas de feitiçaria pelos próprios familiares.
“O preocupante é ver o filho chamar a mãe de feiticeira e contribuir para o sofrimento da mãe”, afirmou, lembrando que muitas mulheres criam os filhos sozinhas e enfrentam riscos durante o parto.
Pindó defendeu ainda a livre circulação das suas músicas, afirmando que não pretende restringir a utilização das obras através de direitos autorais.
“Para mim a música é para ir para o mundo […] qualquer pessoa pode utilizar a música, desde que leve alegria”, declarou.
O cantor apelou aos órgãos de comunicação social, rádios e televisões, para ajudarem na divulgação da música e da mensagem social nela contida.No final da entrevista, deixou uma mensagem de valorização dos afetos e solidariedade na sociedade.“É importante nós nos amarmos, é importante nós nos cuidarmos, é importante nós nos valorizarmos”, concluiu.
