Ody Silva, pescador na comunidade de São João dos Angolares, decidiu há mais de dez anos abraçar esta profissão, considerada o pilar da comunidade “anguené”, e que, embora enfrente desafios nos dias de escassez, se mantém firme e confiante, apelando aos jovens interessados na profissão a terem “coragem e muita fé”.
De acordo com os moradores, a atividade piscatória é a base da economia da comunidade, sendo uma profissão que agrega os mais velhos, bem como os jovens.
Diariamente, pescadores deslocam-se ao mar em busca de alimento. Ody contou quando surgiu o gosto pela profissão.
“Eu comecei a pescar acompanhando um companheiro e pescávamos na baía. Eu comecei a pescar com jangada e apanhávamos aqueles peixes pequenos e depois comecei a pescar e a ir mais distante. […] Então, decidi comprar uma canoa de remo… comecei a acompanhar os mais velhos e decidi ir para o mar pescar”, disse.
Silva explicou que existem dois tipos de pesca, sendo a de brisa e a de fundo, tendo referido que a de brisa se torna mais difícil e trabalhosa. O pescador, que pratica a pesca noturna, sublinhou ainda que um dos maiores desafios é lidar com o sono e o cansaço.
“A pesca da noite é muito difícil porque tenho mais sono. Levantamo-nos desde as 23 horas e vamos à pesca, pescamos desde as 23 até às oito, mas eu gosto, porque é a única pesca que nós aqui conseguimos ter”, frisou.
Sendo uma profissão bastante exigente, Ody relatou que a mesma é valorizada pela comunidade, contudo há preferências.
“Acredito que valorizam o pescador, mas valorizam mais os pescadores de voador e de brisa”, disse.
Semanalmente, Ody pesca até quatro vezes, durante toda a noite.
Apesar do cansaço e dos pequenos desafios enfrentados em momentos de escassez, Ody não se revê noutra profissão, embora nos tempos livres pratique a costura, de forma a ganhar um rendimento extra.
Silva deixou uma mensagem a todos os jovens da comunidade que almejam um dia tornar-se pescadores.
“A mensagem que posso deixar é que tenham coragem, porque a pesca é uma área que dá hoje e amanhã não, mas se estão com esta coragem desde já para seguirem. Porque não são todos que vêm para esta área… terem fé”, apelou.
