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Oficina Zángoma dá vida à cultura musical através do restauro e criação de instrumentos em São João dos Angolares

A oficina Zángoma, fundada há cerca de um ano em São João dos Angolares pelas organizações Manga Manga, Angro Ngolá e pelo músico João Carlos Nezó, dedica-se ao restauro e à criação de instrumentos musicais e de artesanato nacional, com o objetivo de promover a cultura são-tomense, preservar as tradições e passar conhecimentos aos jovens da comunidade.

Os instrumentos musicais desempenham um papel fundamental na produção musical, contribuindo para a criação da melodia, da harmonia e do ritmo. Cada cultura tem os seus instrumentos de referência, que representam a identidade de um povo.

Com o objetivo de contribuir para a preservação dos instrumentos musicais nacionais, as organizações Manga Manga, a Angro Ngolá e o músico João Carlos Nezó fundaram a oficina Zángoma, em São João dos Angolares, dedicada à construção e ao restauro de instrumentos musicais.

O projeto contou com financiamento do PROCULTURA. Atualmente, funciona como uma associação gerida pelos próprios trabalhadores.

“Antes precisávamos muito de instrumentos musicais e, com esta oficina, temos o privilégio de os produzir aqui. É muito importante para Caué, e não apenas para o distrito, porque vêm pessoas de Lembá e Mé-Zóchi fazer compras aqui”, afirmou o responsável pela organização do espaço, Paulino de Deus.

Na oficina é comum encontrar tambores, chocalhos e canzás, mais conhecidos por reco-recos.

Cada instrumento desempenha um papel indispensável na produção musical. Todos são criados pelas mãos dos habitantes da comunidade que, por amor à cultura e com a intenção de a preservar, se dedicam diariamente a este trabalho.

Na sua essência, o projeto pretendeu atrair os jovens, incentivando-os a aprender o ofício e assegurando a transmissão de conhecimentos às novas gerações. Contudo, a maioria dos trabalhadores da oficina é composta por adultos, muitos deles ligados à música desde muito cedo.

“Esta tem sido a parte mais difícil. Não é fácil envolver os jovens nesta atividade, pois é preciso paciência para colher frutos, sobretudo numa altura em que muitos procuram resultados imediatos. Mas não desistimos”, disse um dos organizadores, José Chambel.

Além dos instrumentos musicais, a oficina produz também peças de artesanato, num ambiente onde não apenas se constroem objetos, mas também se vive a alegria e a vontade de contribuir para a preservação dos elementos culturais.

“Conseguimos reunir aqui um grupo de pessoas que faz isto com gosto. Faz parte da vida delas desde sempre”, afirmou José Chambel.

“Fazemos o nosso trabalho contentes. Estamos muito satisfeitos por estar aqui”, disse um dos construtores, Manuel Pires.

Apesar da reduzida adesão dos jovens, alguns têm vindo a integrar a oficina, considerando importante a existência deste espaço na comunidade.

A oficina Zángoma tem-se afirmado como uma referência em São João dos Angolares e em São Tomé e Príncipe na preservação da cultura, através do restauro de instrumentos musicais e da promoção e fortalecimento dos grupos tradicionais.

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