A falta de um jardim de infância na localidade de Angra Toldo Praia tem impedido há vários anos o acesso de dezenas de crianças ao ensino pré-escolar, obrigando atualmente apenas dez das cerca de 40 menores a deslocarem-se a localidade de Angolares, situação que tem levantado questões sobre os desafios de acesso à educação e de igualdade de oportunidades.
A infância é uma das fases mais marcantes da vida. O período das primeiras descobertas sobre o mundo e a escola desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de cada criança.
Contudo, para algumas crianças, esta realidade está longe de ser vivida.
Segundo as mães da localidade de Angra Toldo, a comunidade enfrenta, há vários anos, a falta de uma creche e de um jardim de infância, situação que impede cerca de 40 crianças de terem acesso à educação pré-escolar.
“Aqui as crianças passam o tempo todo no quintal, durante toda a tarde. Há mães que conseguem pagar alguém para cuidar delas, mas outras, que não trabalham, ficam em casa com os filhos”, disse Eufrásia da Costa, moradora e mãe de três crianças.
Perante a inexistência de um jardim de infância na comunidade, algumas crianças são obrigadas a deslocar-se até à localidade de Angolares. Segundo as mães, apenas sete conseguem frequentar o ensino pré-escolar e, devido à falta de transporte, muitas outras acabam privadas dessa oportunidade.
“Quando eu estudava, muitas vezes ia a pé para a escola. O meu apelo é que construam pelo menos uma creche. Aqui há muitas crianças que podiam estudar, mas ficam em casa. E, quando não há lanche, também acabam por não ir”, afirmou a jovem Dayane Manuel, grávida do primeiro filho.
As moradoras apelam ao Estado para a construção de um jardim de infância na localidade, de forma a garantir que todas as crianças tenham acesso à educação desde os primeiros anos de vida e possam beneficiar das mesmas oportunidades de aprendizagem.
“Nós precisamos muito deste jardim. Há mães que não têm com quem deixar os filhos e, com um jardim de infância, seria mais fácil para quem trabalha. Por isso, gostaria que o Governo nos ajudasse aqui em Angra Toldo”, apelou Eufrásia da Costa.
O acesso à educação de qualidade continua a ser um desafio para muitas crianças em São Tomé e Príncipe, levantando questões sobre a acessibilidade ao ensino, o investimento na educação e a igualdade de oportunidades desde a primeira infância.
