Os jovens da localidade de Angra Toldo, apontaram a falta de infraestruturas, as dificuldades no acesso à educação e a escassez de oportunidades como alguns dos principais desafios diários, contudo, muitos mantêm a esperança de construir um futuro com mais oportunidades.
Apesar de ser pequena em dimensão, como grande parte do território de São Tomé e Príncipe, a localidade de Angra Toldo guarda em si sementes de onde nascem grandes sonhos.
Os jovens são os principais impulsionadores desses sonhos. No entanto, o caminho que percorrem é marcado por inúmeros desafios.
A comunidade enfrenta carências estruturais, desde a falta de infraestruturas e de acesso à água potável até às limitações no acesso à educação e à escassez de oportunidades.
“Aqui falta escola, jardim de infância, uma escola para fazer formação e, por vezes, até giz”, disse Jurcilina, nome fictício utilizado para proteger a identidade da adolescente.
Para muitos jovens, os desafios vão além da falta de infraestruturas. A dificuldade em garantir as refeições diárias faz parte da realidade de várias famílias.
Segundo os relatos, muitas crianças começam a trabalhar desde cedo, sobretudo na apanha de búzio, para ajudar no sustento do agregado familiar. O que deveria ser uma atividade de lazer transforma-se, para muitos, numa responsabilidade imposta pelas dificuldades económicas.
“[Não sentimos bem aqui], nós rendemos muito, porque temos que desenrascar, porque nem sempre os pais ficam com dinheiro para dar às filhas. Às vezes apanhamos coco, búzio, e nesses tempos não tem búzio para apanhar”, disse, acrescentando que, por vezes, vai para a escola com fome por não ter possibilidade de fazer uma refeição.
As oportunidades existem, mas nem todos têm o mesmo acesso a elas.
São dezenas de jovens em Angra Toldo que, diariamente, dividem o seu tempo entre a luta pela sobrevivência e a escola.
Os desafios persistem e as barreiras continuam a ser imensas. Ainda assim, são os sonhos que alimentam a esperança e impulsionam a juventude a seguir em frente.
“O meu sonho é ser professora, pode ser do ensino primário, porque gosto de aprender. Gostaria que as pessoas aprendessem um pouco comigo sobre o que passei e aprendi. Gosto muito de crianças e adolescentes”, afirmou Irina Sousa.
Em cada rosto há um sonho. Em Angra Toldo, os jovens mantêm-se firmes perante as dificuldades económicas, as limitações no acesso à educação e a escassez de oportunidades. Acreditam que o futuro dependerá não apenas da sua força de vontade, mas também do investimento e das oportunidades que lhes forem proporcionadas.
