Lecticia Trindade lança o livro infantil “Quero Voltar”, baseado na sua história de vida

A escritora realçou ainda alguns desafios relacionados com o processo de produção do livro, uma obra que a levou a mergulhar no passado e a reviver a realidade que enfrentou após emigrar com os pais.

Sociedade -
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A escritora de literatura infantil Lecticia Trindade lançou a obra “Quero Voltar”, um livro inspirado na sua história pessoal que aborda a nostalgia e as primeiras questões de identidade, retratando a vivência de uma criança que, apesar de viver com os pais fora do seu país natal, nunca desenvolveu um verdadeiro sentimento de pertença em relação ao país de acolhimento.

Lecticia, que é também autora do livro “Minha Mãe, Minha Super-Heroína”, destacou as motivações que a levaram a escrever esta obra.

“O livro é baseado na minha história pessoal, contando a história de uma criança que, embora estivesse fora do seu país natal com os seus pais, nunca teve o sentimento de pertença relativamente ao país de acolhimento. Neste caso, falo de São Tomé e Príncipe, mas serve para qualquer pessoa que tenha sido obrigada a deixar o seu país natal e que nunca encontrou a sua identidade no país de acolhimento, pensando sempre que quer voltar ao seu país de origem”, disse Lecticia, em entrevista à RSTP.

A escritora referiu ainda que o livro retrata mais do que uma história pessoal, mas também uma realidade comum a muitas pessoas que imigram por razões profissionais ou mesmo por férias.

“Este título tem a ver não só com a minha vontade de querer voltar para a minha terra natal, mas também por ser algo que oiço sempre que falo com alguém que já lá foi. Neste livro há certas questões que abordo de forma subtil, mas que pretendo que os leitores considerem. Como mensagem principal, transmito a importância de nos mantermos conectados com as nossas raízes e com as pessoas que por lá deixamos, com a pretensão de que, independentemente do tempo que passe, voltemos e ajudemos os nossos, de acordo com as nossas possibilidades”, citou.

A escritora realçou ainda alguns desafios relacionados com o processo de produção do livro, uma obra que a levou a mergulhar no passado e a reviver a realidade que enfrentou após emigrar com os pais. Lecticia descreveu o processo doloroso de “materializar todo o passado”, uma tarefa que considera mais difícil do que simplesmente verbalizar.

“Posso afirmar que o maior desafio foi precisamente relembrar situações específicas que ocorreram e recordar exactamente tudo o que cada situação envolveu. Não foi fácil lembrar-me, pensar e reviver tudo aquilo que mexe tanto com as minhas emoções. Houve alturas em que tive de parar, respirar fundo e continuar, ou simplesmente levantar-me, apanhar ar e voltar, até momentos em que não consegui conter as lágrimas. São emoções profundas que foram revividas”, explicou.

Elementos como a casa onde a escritora residia em São Tomé, cada detalhe que a compunha, os momentos vividos com os familiares e as memórias com a avó serviram de factores criativos para a escrita do livro.

“Lembro-me também do dia em que estava com a minha avó na cozinha e quis chamar e chamei mesmo aos gritos alguém de quem gostava muito e que me tinha deixado para ir para Portugal, com a esperança e a inocência de uma criança de quatro anos. Todos esses elementos foram fundamentais para criar o universo do livro e trazer maior veracidade à narrativa”, disse.

“Quero e espero que a história seja capaz de comunicar com o leitor e fazê-lo reviver certas memórias e recordações que fazem parte da sua história. Quero que o leitor se identifique e sinta cada palavra que está escrita”, frisou.

Lecticia adiantou ainda que procurou transmitir emoções também através das ilustrações, nomeadamente nas expressões faciais e nos discursos das personagens.

“Quero muito que o leitor sinta essas emoções, tal como eu as senti ao escrever”, realçou.

A escritora salientou, por fim, a ideia de que a migração, que por vezes pode acontecer de forma abrupta e ou violenta, é, na grande maioria das vezes, algo positivo para a construção do “eu” e da vida futura.

“Quero Voltar”, foi lançado neste domingo, 13 de dezembro, em Beeston Hub Community Library, em Leeds, Reino Unido e a venda é feita através das redes sociais da escritora.

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