O professor Carlos Alberto de Ceita alertou para os riscos crescentes da desinformação em São Tomé e Príncipe, sublinhando que a propagação de conteúdos falsos, impulsionada pelas redes sociais e pela fraca literacia mediática, tem impactos significativos na formação de opiniões, valores e comportamentos, sobretudo entre os jovens.
“Eu vejo que a maior parte dos jovens da nossa sociedade estão muito desinformados. Pessoas que porventura, têm um conceito geral sobre um determinado aspeto, mas em muitos casos estão desinformados sobre determinados assuntos”, afirmou.
“Nós temos a questão do empreendedorismo, sabemos que muitos jovens têm formado suas ideias criativas sobre determinados aspetos, mas cabe aos mesmos fazer uma investigação detalhada sobre os conceitos que querem abordar para serem empreendedores, de forma que tenham um contexto verídico sobre determinada situação”, completou.
Durante a sua intervenção no Podcast Voz do Amanhã, da RSTP, o docente explicou que as redes sociais desempenham um papel central na propagação da desinformação, ao permitirem a partilha rápida de conteúdos sem verificação.
“É de salientar que a desinformação é um fenómeno antigo, está presente em diversas áreas da vida social. Desde uma publicidade enganosa até a manipulação de documentos, por exemplo, mapas, fotografias”, disse.
“A desinformação possui um carácter abrangente, mas no seio social em que nós encontramos, nós sabemos que todos os internautas, aqueles que fazem o uso da internet, nós sabemos que há uma grande variedade de informação e se fizermos uma avaliação fundamentada sobre a questão, veremos que existem informações que são contraditórias”, acrescentou.
O professor Carlos Alberto de Ceita explicou ainda que a própria natureza da desinformação assenta na capacidade de tornar conteúdos falsos atrativos e convincentes, utilizando os mesmos meios digitais criados para informar, mas com o objetivo de confundir e manipular a opinião pública.
“Uma vez que as características da desinformação é tornar o conteúdo falso persuasivo, nós sabemos que muitos internautas podem fazer o uso da mesma plataforma que foi usada para informar, para desinformar, a fim de propagar teorias da conspiração, teorias falsas e que sejam persuasivas, estratégicas, de forma a disseminar crenças e confundir as pessoas”, precisou.
Ao abordar casos concretos de desinformação no país, o professor Carlos Alberto de Ceita referiu o episódio de 25 de novembro como um exemplo claro de como informações verdadeiras podem ser acompanhadas por narrativas falsas com o objetivo de confundir a sociedade e proteger interesses políticos.
“Nós temos o caso de 25 de novembro, por exemplo, que aconteceu dentro do quartel e sabemos que houve um relatório da CEEAC que teve como o objetivo influenciar a sociedade de forma positiva para que ela esteja informada quantos aos acontecimentos, mas sabemos que em meio a tudo isso, há um poder maquiavélico que tem como o objetivo causar a desinformação”, sublinhou.
“No meio de toda informação verdadeira, tendencialmente tendem a gerar também informações falsas de forma a desinformar a sociedade sobre a verdadeira situação para não colocar em desvantagem a sociedade política, porque um povo quando tem informação detalhada sobre um determinado aspeto podem causar revolução”, acrescentou.
O professor Carlos Alberto de Ceita apelou a uma maior responsabilidade dos cidadãos no consumo de informação, defendendo a iniciativa individual, a busca ativa por fontes credíveis e a abertura ao conhecimento como formas eficazes de combater a desinformação.
“A mensagem que eu deixo é para que as pessoas trabalhem para a amplificação de práticas relacionadas às publicidades online. A população deve fazer o trabalho de desenvolver iniciativas privadas, ir à busca das informações. O meu desejo é que as pessoas abram a mente para o conhecimento, porque o que as pessoas querem é o senso comum, não querem ir à busca a fim de ter as informações para elas próprias”, concluiu.
O Podcast Voz Do Amanhã, integra-se no projeto “Nossa Voz, Nosso Futuro – Democracia em Ação, Financiado pela european Partneship for Democracy (@epdemocracy), o programa conta com o apoio do Governo de São Tome e Príncipe e das Nações Unidas reforçado o papel das mulheres na democracia e na promoção da igualdade e da participação ativa das mulheres na sociedade são-tomense
