O Primeiro-Ministro, Américo Ramos, disse hoje que “não é compreensível” a ameaça de greve do Sindicato dos Trabalhadores da EMAE (SEMAE), por causa da crise energética, e anunciou que os novos geradores deverão chegar ao país até final do mês para normalizar o fornecimento de energia..
“A empresa da EMAE é a empresa vocacionada, ou a empresa pública que tem a competência de resolver os problemas da energia e água em São Tomé e Príncipe. O governo autorizou a empresa a fazer a aquisição de novos grupos de geradores até que nós façamos a transição energética. A empresa fez a opção de trazer esses geradores o mais breve possível, mas, infelizmente, isso não foi possível”, disse Américo Ramos.
Américo Ramos explicou, durante uma entrevista feita na visita ao hospital hoje, dia que marca um ano do início do mandato como Chefe do XIX Governo, que o processo de aquisição dos geradores foi feito diretamente pela empresa EMAE, tendo o Governo apenas lidado com as questões mais burocráticas relacionadas à aceleração do transporte. Ramos acrescentou ainda que estas são as informações fornecidas pela EMAE.
O Primeiro-Ministro salientou que o aviso feito no início da crise energética no país sobre a chegada do gerador em “uma a duas semanas” teve como base a informação recebida pela EMAE.
“Até levou muitos dirigentes, inclusive eu, a ter dito que numa semana, duas semanas, três semanas, isso estaria resolvido. Mas essa é uma informação que eu obtive da empresa de água e eletricidade. Não é uma informação minha”, disse.
“Se o presidente do sindicato tem alguma dúvida, ele que pergunte à direção da EMAE. O governo só está a tentar facilitar, ajudar. Nós sabemos que os geradores estão em um determinado ponto. Nós estamos numa ilha, não há frequência constante de barcos entre esse ponto e São Tomé e Príncipe. Então aqui é que o governo entra no sentido de acelerar. O governo orientou a EMAE, a EMAE fez a adjudicação a uma empresa, e a empresa ficou encarregada de trazer os geradores antes do Natal, mas não o fez”, explicou.
O Chefe do Governo avançou ainda que não entende a reação do SEMAE e que existem outros problemas dentro da EMAE que também carecem de atenção.
“Eu não entendo essa intervenção do presidente do sindicato. Se tem alguma dúvida… Eu acho que não temos que fazer ameaça nenhuma. Porque se o senhor diz, dá ao governo 15 dias, o que é que vai fazer? Vai parar? Não é preciso saber. Quando sabemos que a EMAE tem problemas graves, problemas de excesso de trabalhadores”, citou.
Ramos apontou que um dos problemas relacionados ao atraso dos geradores está nas questões logísticas, que envolvem não diretamente a empresa fornecedora dos combustíveis e a EMAE, e que é necessário haver mais colaboração entre o SEMAE.
“Já estive no gabinete com o presidente do sindicato, mas a equipa técnica da EMAE estava para dirimir um conflito, porque há um grupo de técnicos que tinha pensado que essa opção de ir buscar esses geradores não era a melhor, que devia se buscar em outro lugar. E naquele encontro estava o presidente do sindicato, e foi explicado detalhadamente porque se fez essa opção”, sublinhou.
“Portanto, eu não entendo. Eu fico estupefato quando eu vejo esse tipo de atitude. Depois, hoje em dia, nas redes sociais, cada um dá a opinião como quer, sem conhecer o fundo da questão. Eu acho que o presidente do sindicato da EMAE devia colaborar, sim, com a empresa e com o governo, no sentido de atacar aqueles problemas reais da EMAE”, acrescentou.
O Chefe de Governo ressaltou em entrevista outros problemas que envolvem a empresa EMAE e afirmou que até o fim do mês de janeiro o país irá receber os geradores e, juntamente com os já existentes, será possível manter o nível normal de distribuição de energia.
“Temos a expectativa que, antes do final do mês, a gente consiga ter os geradores aqui. Com esses geradores e a continuidade de manutenção dos existentes, vamos ter de manter aquilo. Mas nós temos de melhorar, porque não há sustentabilidade. Então, é necessário que, ao mesmo tempo que se traga os geradores, seja preciso que a EMAE e os técnicos da EMAE se disponibilizem para continuar a fazer a manutenção devida”, disse.
O Sindicato dos Trabalhadores da EMAE (SEMAE) deu nesta terça-feira, 13, um ultimato de duas semanas ao Governo são-tomense para resolver a crise energética, sob pena de avançar com uma greve tendo em conta que as promessas de solução não cumpridas e os as ameaças que os trabalhadores têm sofrido no terreno.
