O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, que se encontra no poder há quase 40 anos, foi reeleito, ao conquistar o seu sétimo mandato com 71,65 por cento dos votos, de acordo com os resultados oficiais divulgados das eleições que têm sido contestadas pela oposição e observadores.
Museveni obteve uma maioria confortável dos votos, superando o principal candidato da oposição, Robert Kyagulanyi, conhecido como Bobi Wine, que conquistou 24,72% dos votos. A oposição, no entanto, contestou os resultados, denunciando irregularidades, intimidação de eleitores e restrições à campanha.
Bobi Wine, que se encontra em parte inserta depois de ter dito que fugiu a uma detenção promovida pelas autoridades, condenou o que classificou como um processo eleitoral injusto, marcado pelo corte da Internet, destacamentos militares e alegados sequestros dos elementos da sua campanha.
Os responsáveis eleitorais também enfrentaram questões sobre a falha das máquinas de identificação biométrica dos eleitores na quinta-feira, o que causou atrasos no início da votação em áreas urbanas, incluindo a capital, Kampala, que são bastiões da oposição.
No poder desde 1986, Museveni consolida-se como um dos líderes africanos há mais tempo em funções, ao garantir mais um mandato num processo eleitoral marcado por fortes controvérsias.
As eleições decorreram num clima de elevada tensão política e forte presença das forças de segurança, sobretudo na capital Kampala. Organizações da sociedade civil e observadores internacionais apontaram preocupações relacionadas com a liberdade de expressão, detenções de membros da oposição e bloqueios temporários da internet, fatores que, segundo críticos, afetaram a transparência do processo.
Museveni governa o Uganda desde que chegou ao poder através de uma rebelião armada, em 1986. Ao longo das décadas, promoveu alterações constitucionais que eliminaram limites de mandatos e de idade presidencial, permitindo-lhe continuar a concorrer. Para os seus apoiantes, é visto como um garante da estabilidade; para os críticos, o seu longo consulado representa um entrave à alternância democrática.
Com mais este mandato, Yoweri Museveni aproxima-se de quatro décadas contínuas no comando do Estado ugandês, num momento em que crescem os debates internos e externos sobre o futuro da democracia, dos direitos humanos e da sucessão política no país.
