O primeiro-ministro, Américo Ramos, reagiu hoje à decisão do partido Ação Democrática Independente (ADI) de retirar a moção de censura apresentada contra o XIX Governo Constitucional, afirmando que “o bom senso finalmente reinou” na bancada parlamentar da ADI.
“Porque, como sabemos e vimos, essa moção de censura ao governo poderia causar problemas bastante graves ao país, a escassos meses das eleições, e minar a confiança dos parceiros e investidores”, apontou Américo Ramos.
Segundo o chefe do Executivo são-tomense, a moção “iria interromper alguns projetos já engajados com o Governo que estão em curso”.
“Resumindo, isso só teria impacto negativo na população são-tomense, que já, por si só, vive uma situação que é preciso mudar”, frisou.
Américo Ramos, afirmou que o Governo está consciente dos desafios do país e continua a trabalhar em reformas estruturais para promover mudanças significativas.
“Portanto, o Governo está consciente dos problemas que existem no país, mas está trabalhando, está fazendo reformas para que haja mudanças destes tipos de coisas. Daí que esse bom senso reinou, finalmente vem sim colocar as coisas no eixo, e o Governo fará a sua parte até ao final da legislatura”, frisou o chefe do Executivo.
De referir que na manhã desta quarta-feira, 28, durante a sessão parlamentar que previa retomar o debate da moção de censura apresentada pela ADI contra o XIX Governo Constitucional, o líder parlamentar do partido maioritário após ter recebido um telefonema e confidenciado com alguns dos seus colegas deputados anunciou de surpresa a retirada da moção de censura contra o Executivo, afirmando que cumpriu os objetivos da sua estratégia, nomeadamente de se “demarcar por completo deste Governo”.
“Percebemos que os nossos planos, as nossas estratégias cumpriram-se […] descobrimos de forma mais que clara que o Governo, MLSTP e o Basta firmaram uma aliança […] “existe uma máquina para colocar o povo na pobreza, manter na escuridão e na miséria, com falta de água e um conjunto de situações”, acusou o líder parlamentar da ADI, Nito Abreu.
O secretário-geral da ADI, Elísio Teixeira, sublinhou que a moção de censura, inicialmente agendada para discussão na terça-feira, serviu para o partido se “demarcar por completo deste Governo” e acusou alguns elementos do seu grupo parlamentar de se venderem à oposição.
“Temos confirmação de que foram ofertados a deputados quantias de cerca de 10 mil dólares para que não viessem à plenária, desligassem os telefones para que não houvesse quórum”, denunciou Elísio Teixeira.
Teixeira garantiu que a ADI, que elegeu 30 deputados, passa agora a contar com apenas 23 deputados até ao fim da legislatura.
Na terça-feira, a sessão foi suspensa durante horas, após uma denúncia contra dois deputados da ADI que estariam em situações de incompatibilidade, por exerceram cumulativamente outra atividade remunerada da Administração Pública.
Os deputados da ADI proponentes da moção de censura defenderam que a questão deveria ser analisada posteriormente pela comissão especializada, mas a oposição insistiu que os deputados em causa deveriam abandonar a sessão.
