Os estudantes são-tomenses em formação no Reino de Marrocos manifestaram preocupação com o atraso prolongado no pagamento das bolsas de estudo atribuídas pelo Estado, alertando para dificuldades financeiras, emocionais e académicas que dizem estar a comprometer a sua permanência no país.
Numa nota de imprensa enviada à RSTP, os estudantes afirmam estar há vários meses sem receber o pagamento que garante a sua subsistência no exterior, situação que descrevem como “insustentável” e geradora de graves consequências no seu quotidiano.
“Enfrentamos dificuldades severas com alimentação, transporte, alojamento, saúde mental e dignidade pessoal. Muitos de nós já vivemos à margem do mínimo necessário para estudar com tranquilidade. Casos de ansiedade, isolamento, sofrimento psicológico e depressão tornaram-se cada vez mais comuns entre os estudantes“, lê-se na nota enviada à nossa redação.
Os signatários relatam ainda que um acontecimento recente, não detalhado no documento, expôs de forma clara a fragilidade da situação vivida pelos estudantes, sem que tenha havido, até ao momento, um posicionamento público do Governo são-tomense.
“Estamos indignados com o silêncio e a aparente indiferença das autoridades nacionais diante do sofrimento dos seus próprios filhos no exterior. Estudar longe de casa já é um desafio. Sem apoio, torna-se um fardo insuportável”, aponta o documento da União dos Estudantes Santomenses no Reino de Marrocos.
Os estudantes consideram que a situação está a comprometer seriamente a sua qualidade de vida, o desempenho académico e a dignidade enquanto cidadãos são-tomenses no estrangeiro.
“Por isso, reunimo-nos neste abaixo-assinado para exigir: o pagamento imediato de todas as bolsas em atraso; um compromisso formal para regularização dos pagamentos, com calendário claro e a criação de um canal de comunicação ativo entre as autoridades e os estudantes no exterior”, declararam os estudantes no abaixo-assinado.
“Confiamos no compromisso das autoridades para com a juventude e a educação como pilares fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Este pedido é feito com respeito, mas com urgência. Não queremos apenas sobreviver fora do país; queremos poder estudar com dignidade e esperança“, concluiu.