A cineasta são-tomense Jéssica Lima irá representar São Tomé e Príncipe na 5ª edição do Ateliê Mutamba, um programa de residência artística, em Luanda, Angola, dedicado à investigação, criação e difusão artística contemporânea, com foco no cinema e no audiovisual.
O Ateliê Mutamba é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e a 5ª. ediçaõ será entre 28 de fevereiro e 8 de abril de 2026.
Nesta edição, foram selecionados cinco artistas provenientes de países africanos de língua portuguesa, sendo Jéssica Lima a única representante de São Tomé e Príncipe. O Ateliê Mutamba é um programa dedicado à investigação, criação e difusão artística contemporânea, com foco no cinema e no audiovisual.
“Fiquei muito contente e honrada com a minha seleção para a 5ª edição do Ateliê Mutamba. Sinto que esta residência representa uma continuidade natural do meu percurso e contribui para a consolidação da minha carreira enquanto cineasta. É uma oportunidade muito significativa poder integrar um espaço de criação e reflexão ao lado de outros artistas africanos, aprofundando o meu processo criativo e expandindo o trabalho que tenho vindo a desenvolver”, disse Jéssica em declarações à RSTP.
Cineasta com percurso internacional, Jéssica Lima tem vindo a dedicar-se ao documentário, explorando temas ligados à identidade, diáspora e questões sociais contemporâneas. O seu primeiro documentário curto, Chama-me Maria (2022), foi distinguido com o prémio de Melhor Curta-Metragem no São Tomé Fest Film e recebeu Menção Especial no Porto Femme International Film Festival.

“Vejo esta residência como uma oportunidade de aprofundar o meu conhecimento e dialogar com outras realidades africanas, num momento em que as narrativas sobre identidade, diáspora e herança cultural se tornam cada vez mais relevantes. Interessa-me explorar como essas continuidades e rupturas moldam a nossa identidade coletiva”, afirmou a cineasta numa nota de imprensa.
Durante a residência, Jéssica Lima irá desenvolver um novo projeto documental centrado em temas de memória, herança familiar e identidade, em diálogo com o contexto histórico e cultural entre São Tomé e Príncipe e Angola. A sua participação no Ateliê Mutamba representa um passo significativo no seu percurso artístico e contribui para reforçar a presença de criadores santomenses no panorama audiovisual africano e internacional.
A artista referiu ainda que “este intercâmbio com Angola, e em particular com a cidade de Luanda, carrega também um significado histórico e cultural importante, tendo em conta a relação de proximidade entre os nossos países”.
“Tenho grandes expectativas em relação ao diálogo com os outros artistas residentes e mentores do programa, e acredito que essa troca será fundamental para o desenvolvimento do projeto que levarei para a residência, explorando temas ligados à identidade, memória e herança cultural”, disse.
A residência decorre no histórico Hotel Globo, hoje transformado num importante polo cultural da cidade de Luanda. Com a duração de seis semanas, o programa inclui mentoria especializada, acompanhamento curatorial e apoio ao desenvolvimento de projetos audiovisuais, culminando numa apresentação pública dos trabalhos realizados.
“As residências artísticas proporcionam um espaço de reflexão, experimentação e crescimento que vai além da técnica, ajudam a clarificar o que queremos comunicar e a forma como queremos representar as nossas histórias. Poder desenvolver o meu trabalho num contexto internacional e em diálogo com outros criadores e mentores é fundamental para esse processo”, citou.
“Acredito que esta experiência terá um impacto duradouro no meu percurso, abrindo novas possibilidades de colaboração e contribuindo para reforçar a presença de vozes santomenses no panorama audiovisual africano e internacional”, concluiu.