O Ministério Público (MP) são-tomense anunciou hoje a detenção de mais três suspeitos, elevando para seis os arguidos da “operação pensionista” que investiga o desvio de cerca de quatro milhões de euros de créditos da Segurança Social.
Numa publicação no Facebook, o MP refere que entre os detidos estão um homem e duas mulheres “suspeitos da prática de fatos qualificados pela legislação penal como crime de branqueamento de capitais e burla qualificada”.
“Efetivadas as detenções e, submetidos ao primeiro interrogatório judicial os arguidos, em conformidade com requerimentos do Ministério Público, foram aplicadas […] prisão preventiva ao arguido do sexo masculino [e] proibição de ausentar do país às duas arguidas do sexo feminino”, lê-se na nota do MP.
O MP não revelou a identidade dos detidos, mas fonte judiciária disse à RSTP tratar-se de ‘Temy’, um dos colaboradores do principal arguido (Ananias Almeida), sua mãe e mulher.
Por outro lado, o MP refere que durante as investigações “identificou-se numa oficina a carrinha “pick up” de marca “Ford Raptor” cujo paradeiro até então as autoridades desconheciam”, assim como “mais uma viatura de marca “Land Cruiser Prado” pertencente ao principal arguido”.
“Os referidos processos continuam em investigação e, consequentemente, em segredo de justiça”, sublinha o MP.
Na semana passada, a Justiça são-tomense havia decretado prisão preventiva para os primeiros três arguidos acusados do desvio de cerca de 4 milhões de euros de créditos da Segurança Social.
Na altura, o MP anunciou que “na posse dos detidos foram aprendidas cerca de 10 viaturas de alta cilindrada, sendo algumas delas de topo de gama, diversos relógios de marcas de luxo, diversos objetos em ouro, enormes quantidades de dinheiro em espécie, um estúdio de televisão com diversos equipamentos, e vários documentos, objetos e matéria probatória, que irá ser analisada”.
A instituição não revelou a identidade dos arguidos, mas fontes judiciárias disseram à RSTP que trata-se de Ananias Almeida, um funcionário do Banco Internacional de São Tomé e Príncipe (BISTP), cantor e empresário, a sua mulher e um comerciante.
Na mesma semana, o diretor do Instituto Nacional de Segurança Social, Gilmar Benguela, assegurou que o valor não foi retirado da conta da instituição e que “nenhum funcionário da Segurança Social foi detido ou foi constituído arguido” durante a denominada “Operação Pensionista” que teve os primeiros detidos no dia 24 de março.
“Queremos tranquilizar os nossos contribuintes e beneficiários que as contribuições que são efetivamente feitas na conta da Segurança Social, temos todo o controlo sobre ela e que as suas prestações estão garantidas”, disse Benguela em declarações aos jornalistas.
Até ao momento, o Banco Internacional de São Tomé e Príncipe (BISTP) não fez qualquer pronunciamento público sobre esta polémica.
