“Eu gostaria de ir embora para São Tomé, mas ainda não tratei a saúde” – moradora são-tomense em Talude

O representante da comunidade são-tomense no bairro do Talude, em conjunto com outras associações têm buscado assegurar que estes cidadãos tenham alguma dignidade.

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Rádio Somos Todos Primos

Uma emigrante são-tomense, declarou à RSTP que gostaria de regressar à São Tomé, mas sente-se obrigada a viver atualmente numa pequena barraca no Bairro Talude, em Loures, com mais três pessoas, porque ainda não conseguiu tratar da doença que lhe forçou a viajar por falta de condições médicas em São Tomé. 

O bairro militar do Talude, em Loures, é formado majoritariamente por imigrantes. Segundo eles, chegaram ao local por não conseguirem arrendar uma casa devido ao elevado preço do mercado imobiliário, o que levou muitos a construírem casas ilegais no bairro.

Uma migrante de 50 anos saiu de São Tomé e vive no bairro há aproximadamente um ano com a filha, que abandonou os estudos para auxiliar a mãe que dada as condições de saúde está impossibilitada de trabalhar.

“Eu estava lá em São Tomé a estudar, a minha mãe tem problema de coração e tive que pedir uma junta médica, mas a doutora disse que não pode dar porque a situação da minha mãe não é assim tão complicado, mas eu disse que não… então eu e os meus irmãos nos reunimos e fomos pedir um relatório médico”, explicou a filha.

Após a sua chegada a Portugal, a jovem e a mãe têm enfrentado dificuldades no processo de obtenção de uma moradia. Com ajuda de uma amiga, conseguiram obter uma das barracas no bairro para viver, contudo, meses depois foram demolidas.

“A minha amiga estava a morar aqui com o marido, mas por causa de algumas situações teve que abandonar o espaço e deixou-me com o espaço. Depois de um mês a câmara veio deu , um prazo de 48 e na segunda-feira vieram e demoliram tudo”, disse.

Foram mais de 60 barracas demolidas no dia 14 de julho, pela Câmara Municipal de Loures, deixando dezenas de famílias desalojadas e expostas a situações precárias, onde muitas têm dormido em tendas e em algumas barracas reconstruídas.

“Eu gostaria de ir embora, mas não dá para ir porque vim com problema de saúde e não tratei ainda, não posso ir. […] Em São Tomé eu tenho casa, aqui eu durmo mal, durmo de um lado só porque são muitas pessoas numa cama…eu estou em casa de alguém até haver solução, eu não tenho como…aqui mesmo onde cozinhamos, tomamos banho, dormimos. Dia a dia até haver solução”, relatou a mãe. 

O representante da comunidade são-tomense no bairro do Talude, em conjunto com outras associações têm buscado assegurar que estes cidadãos tenham alguma dignidade.

“Para todos os moradores, temos tentado assegurar o essencial que é alimentação, água, medicamentos. Trouxemos para aqui médicos para dar consulta. Temos feito um esforço para conseguir que essas pessoas estejam aqui com alguma dignidade”, frisou o representante.

A jovem que tem trabalhado como cuidadora de idosos, procura por um trabalho com contrato e melhores condições para sair do bairro com a mãe e apelou a Câmara Municipal de Loures por mais empatia e resolução dos problemas dos residentes em Talude.

“Eu espero que a equipa da Câmara de Loures possa ver realmente a nossa situação, espero que elas venham e vejam a situação que está a passar aqui em Talude”, apelou a filha.

Enquanto aguardam por melhores dias os são-tomenses neste bairro vivem na esperança de um futuro mais risonho e de melhores condições.

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