O coronel Virgílio Sousa Pontes, disse ter sido “escolha do Presidente da República” para assumir o cargo de Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA), mas aguarda há quase um mês, em meio a críticas, para ser empossado, e ainda sem a confirmação do primeiro-ministro, que estar a analisar “os prós e os contras”.
“Eu espero ser empossado. Acho que tenho uma bagagem cheia de coisas novas para pôr em evidência”, disse Virgílio Sousa Pontes.
A escolha de Virgílio Sousa Pontes para o cargo de CEMFA tem motivado várias críticas, incluindo no seio das Forças Armadas. Entre outros elementos, os mais críticos apontam o facto de Sousa Pontes ser um coronel graduado e ainda não ter completado os cinco anos necessários para ser promovido ao posto de coronel.
“A mim, isso não provoca nenhuma reação. Não tenho reação. Acho que a minha nomeação não é por votos, é por escolha de Sua Excelência o Presidente da República. Quem o senhor escolher deve ser um homem de confiança. A meu ver, sou um homem trabalhador, um homem de mangas arregaçadas, portanto não deveria haver dúvida nenhuma”, afirmou.
Virgílio Sousa Pontes tem ocupado o cargo de CEMFA interino, acumulando com as funções de comandante do Exército, desde a exoneração do ex-CEMFA, João Pedro Cravid, após o desaparecimento do processo do caso 25 de novembro nas instalações do Estado-Maior das Forças Armadas, em outubro.
As Forças Armadas também estão sem o vice-CEMFA há mais de dois anos, desde a saída de Armindo Rodrigues, e há cerca de um mês ficaram também sem o comandante da Guarda Costeira e o Inspetor-Geral das Forças Armadas, que foram exonerados dos cargos, em 20 de dezembro, por serem arguidos no processo de 25 de novembro de 2022.
A nomeação das chefias dos ramos das Forças Armadas depende da nomeação do CEMFA.
Apesar de Virgílio Sousa Pontes ter sido aprovado pelo Conselho de Defesa Nacional, o primeiro-ministro afirmou que o processo ainda está em análise.
“Há detalhes técnicos que é preciso discutir num fórum próprio e o Governo tem trabalhado no sentido de discutir tecnicamente, ver os prós e os contras, analisar profundamente e decidir qual é a melhor opção a tomar”, explicou o chefe do Governo, Américo Ramos.
Américo Ramos disse que o novo CEMFA será nomeado brevemente, mas não confirmou se será mantido o nome de Virgílio Sousa Pontes, acentuando assim a incerteza nas chefias das Forças Armadas, que têm estado no centro das aetnções desde os acontecimentos de 25 de novembro de 2022, quando quatro civis foram torturados e mortos num quartel militar.
