O Presidente da República afirmou hoje que o seu ex-conselheiro especial sueco, procurado pela Interpol por crimes graves, “tinha um registo criminal limpo” aquando da nomeação para trabalhar em projetos na saúde e segurança marítima no Golfo da Guiné.
Em conferência de imprensa, para a qual a RSTP não foi convidada, o Presidente são-tomense revelou que o sueco foi nomeado em 04 de dezembro de 2025.
“Como habitualmente, constava do processo conducente à nomeação o registo criminal do referido cidadão, emitido pelas autoridades suecas em 02 de outubro de 2025. No registo criminal, nada constava contra a pessoa em causa, ou seja, o mesmo tinha um registo criminal limpo, do qual não constava qualquer tipo de referência a eventuais condenações existentes sobre o mesmo”, declarou Carlos Vila Nova.
O chefe de Estado são-tomense reafirmou, conforme comunicado da Presidência da República do dia 20, que “a Presidência foi posteriormente informada pelo próprio Conselheiro em causa de que corria os seus termos na Suécia um processo judicial no qual o seu nome era mencionado”.
“Embora tal circunstância se circunscrevesse ao estritamente âmbito pessoal, não tendo qualquer relação com o exercício das funções que desempenhava junto à Presidência da República, movido pelo sentido de responsabilidade institucional pelo qual tenho pautado sempre as minhas decisões, considerei por bem exonerar o senhor das funções de Conselheiro Especial para as quais havia sido nomeado”, declarou.
O Presidente da República disse não se arrepender das suas ações nesse processo, sublinhando que “a nomeação dos conselheiros é com o propósito de contribuir para melhorar o desenvolvimento” do país.
“Os critérios que movem a nomeação de um conselheiro são trazer investimentos e trabalhar em projetos que são essenciais. Este senhor estava a trabalhar em alguns projetos, dois deles de capital importância para o país. Um no domínio da saúde, muito importante, e outro no domínio da segurança marítima no Golfo da Guiné”, precisou.
“Reafirmo o meu compromisso inabalável com a legalidade, a transparência, a salvaguarda do interesse público e a defesa do bom nome do País, que é nosso e cujos destinos, ao mais alto nível, os são-tomenses me confiaram a condução, através da sua vontade manifestada nas urnas (…). Apelo à serenidade dos cidadãos e à preservação da paz social, valores que sempre distinguiram a nossa nação”, apontou Carlos Vila Nova.
O Governo são-tomense também reagiu hoje através de comunicado do Conselho de Ministro, no qual refere que o homem é “suspeito da prática de crimes comuns no seu país de origem” e que, face “a especulação e conjeturas geradas a esse respeito e sobre a imagem das autoridades são-tomenses, decidiu que a Polícia Judiciária deve proceder a um esclarecimento público”.
Na terça-feira, o diretor da Polícia Judiciária são-tomense, Domilzio Matos, revelou que o homem era procurado pela Interpol “pela prática de crimes de ofensas corporais grave, detenção e uso de armas proibidas, violação sexual grave com recurso a administração às vítimas, contra a sua vontade expressa e mediante uso de força, de drogas incapacitantes da sua resistência”.
O homem detido no domingo, num hotel na ilha do Príncipe, foi entregue na tarde de segunda-feira ao Ministério Público, onde seguem os processos para a sua audição e consequente extradição.
Segundo uma fotografia do passaporte diplomático que circula nas redes sociais, o homem chama-se Carlsson Stig Karl-Magnus, nasceu em 08 de janeiro de 1964.
O passaporte diplomático tem a data de emissão de 05 de dezembro de 2025 e é válido até 04 de dezembro de 2030.