PM admite que geradores não têm 10 megas e diz que foram fornecidos por interessado na cidadania por investimento

O primeiro-ministro admitiu não ter uma data para o fim da crise energética que dura há mais de sete meses, apesar de terem chegado ao país mais de 10 geradores nos últimos três meses.

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Rádio Somos Todos Primos

O primeiro-ministro confirmou a denuncia do ex-diretor da Emae e admitiu pela primeira vez que os quatro geradores que chegaram ao país no mês passado não têm a capacidade de produzir 10 megawatts, a revelou que foram fornecidos por um interessado na cidadania por investimento.

“Nesse grupo que o ministro inicialmente anunciou de 10 megas, os que chegaram são cerca de 7 megas. Quer dizer que haverá a chegada de mais alguns para completar os 10 megas que nós negociámos com o parceiro para nos fornecer”, revelou Américo Ramos, em conferência de imprensa, na sexta-feira.

O primeiro-ministro revelou que os geradores foram adquiridos por um parceiro no âmbito do programa “cidadania por investimento ou doação”, para depois ser reembolsado pelo executivo.

“Nesse momento não houve nenhum pagamento na aquisição desses geradores […], será avaliado o valor real desses geradores, de conformidade com o mercado e depois o Governo [irá] assumir esse pagamento”, disse Américo Ramos, rejeitando a alegada subfaturação denunciada pelo ex-diretor da Emae.

Segundo o primeiro-ministro, os geradores que chegaram ao país em finais do mês passado ainda não foram instalados e aguardam pela chegada, no sábado, de especialistas enviados pelo “parceiro” para a certificação da capacidade e o real estado dos equipamentos, antes de intervenções para adequá-los à rede nacional.

No mês passado, o Governo são-tomense recebeu quatro geradores e anunciou que eram novos e tinham capacidade de 10 megawatts, sendo 2,5 cada, representando a conclusão da “fase imediata de reforço da capacidade térmica nacional”.

No entanto, dias após ser demitido, o ex-diretor da Emae, Raúl Cravid denunciou que os quatro geradores não são novos e não têm a capacidade de 10 megawatts como anunciado pelo Governo.

O chefe do Governo prometeu que disponibilizará todas as informações sobre a aquisição e o estado dos geradores para conhecimento público.

O primeiro-ministro admitiu não ter uma data para o fim da crise energética que dura há mais de sete meses, apesar de terem chegado ao país mais de 10 geradores nos últimos três meses.

“Ainda temos alguma dificuldade de fechar essa situação de normalização da energia. Nós importámos novos geradores, mas é preciso dizer que o parque de geradores da Emae [Empresa de Água e Eletricidade] são todos obsoletos, muitos deles com mais de 10 anos, e as avarias são constantes” e “requerem manutenção constante”, disse Américo Ramos.

A crise energética voltou a instalar-se em São Tomé e Príncipe com cortes constantes e prolongados de eletricidade desde agosto do ano passado, quando a empresa Tesla STP, de investidores turcos, suspendeu unilateralmente o contrato de cerca de 455 mil euros mensais, alegando dívidas acumuladas pelas autoridades são-tomenses. 

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