O segundo maior sindicato de professores são-tomenses (Sinapron) denunciou que mais de 200 professores contratados no ano passado trabalham há quase sete meses sem salários e alertou o Governo para a necessidade de resolver a situação este mês.
Em conferência de imprensa, na quarta-feira, o presidente do Sindicato Nacional dos Professores e Educadores Novos de São Tomé e Príncipe (Sinapron), Adilson Boa Esperança, realçou que a situação desses docentes “é inquietante” e “deveras preocupante”, pelo que “exigem medidas urgentes para a resolução do problema”.
“A caminho de sete meses, mais de duas centenas de professores novos continuam a prestar trabalho à entidade patronal [Ministério da Educação] em diferentes níveis de ensino, com dedicação […], sem, no entanto, receber até à data presente os seus salários”, declarou o líder sindical.
Adilson Boa Esperança referiu que o Sinapron, que tem aproximadamente 700 membros inscritos, “insta o Governo a cumprir com o seu papel de não deixar ninguém para trás” e pagar os salários aos novos docentes até ao final do presente mês, sob pena de outras ações de protesto.
“Já passaram o Natal e Ano Novo sem salário. Passaram a Festa de Cinza sem salário. Passaram a Festa de Páscoa também sem salário. Ponhamos a mão na consciência e vejamos que os professores também têm necessidade e estão a cumprir com os seus deveres. Todos os dias estão lá a darem o melhor de si”, alertou.
O líder sindical alertou que a situação é recorrente, apesar de um memorando assinado com o Governo anterior em que se previa pôr fim a estes atrasos.
O sindicato congratulou o governo regional do Príncipe por “ter pago salários aos novos professores desde o dia 20 de dezembro de 2025, o que não aconteceu com o Governo central”.
Por outro lado, o Sinapron lamentou “a postura do atual Governo em reter os descontos dos associados desta organização” sem depositar nas contas da organização.
Contactado pela RSTP, o Ministério da Educação disse ter informações da direção do Orçamento que assegurou estar a tratar do assunto e que dentro de duas semanas os novos professores poderão ser pagos.
“Existem alguns ‘demarches’ para o procedimento de pagamento dos professores novos que são morosos. São muitos professores e o sistema de Administração Pública, Finanças, Tribunal de Contas e depois DAF de novo, leva tempo”, refere, numa nota, o Ministério da Educação.