A Ação Democrática Independente (ADI), do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada pediu um debate de urgência sobre a crise energética que dura há cerca de 10 meses, bem como a falta de água potável no arquipélago, anunciou hoje fonte oficial.
A informação foi avançada em conferência de imprensa pelo líder parlamentar da ADI, Nito Abreu, que apontou como principal objetivo levar o governo ao debate no parlamento “para explicar e clarificar a população sobre o que está a acontecer de fato”.
“Já são 10 meses que o país se encontra às escuras e sem uma resposta clara [e] convincente sobre a situação, sobretudo da crise energética”, sublinhou Nito Abreu.
O líder parlamentar da ADI, afirmou que “a situação tende a piorar” e tem havido “muita lamentação, sobretudo dos que precisam, dos que trabalham e sobrevivem através da energia” e que investem no turismo.
Nito Abreu, sublinhou ainda que deste o início da crise o governo anunciou que recebeu e adquiriu mais de uma dezena de geradores que teriam a capacidade de produzir mais de dez megawatts de energia, mas não conseguiu normalizar a situação assegurada anteriormente pelo grupo turco Telsa STP, que retirou alegadamente apenas 3.5 megawatts de energia da rede.
Para o líder parlamentar da ADI a responsabilidade pela crise energética é do Presidente da República, que acusam de ter formado um Governo de iniciativa presidencial, bem como dos partidos Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) e o Movimento Basta, que dão suporte parlamentar ao Governo.
“Hoje se vermos o problema do país, há muito mais matéria para fazer cair o Governo. É crise energética jamais vista no país. Dez meses sem uma resposta clara, e sem ninguém que assuma, logo quem deve assumir a responsabilidade é o próprio Presidente da República […] o MLSTP, o Basta e o chefe do Governo que ele colocou”, declarou Nito Abreu.
O debate de urgência deveria acontecer dentro de dois dias, se aprovado, mas o pedido para realizar a reunião só será analisado, na sessão plenária a realizar-se nas próximas semanas, uma vez que os trabalhos da conferência de líderes parlamentares estão suspensos desde janeiro, após a crise que culminou a destituição da anterior líder do parlamento e vice-presidente da ADI, Celmira Sacramento.
O líder parlamentar da ADI, afirmou ainda que o debate de urgência também servirá para mais uma vez o partido demarcar-se do atual Governo, ao qual apresentou uma moção de censura em janeiro.
Na semana passada, o Ministério Público são-tomense anunciou que efetuou busca e apreensão no Ministério das Infraestruturas e na Empresa de Água e Eletricidade (Emae) e abriu processo-crime, face a indícios de vários crimes no processo de compra de geradores.