Ministro das Finanças aponta “resultados satisfatórios” na 3ª avaliação do acordo com o FMI

O nosso problema é que não temos um espaço fiscal ou poupanças para dizer que temos recursos sentados nos cofres do tesouro para fazer essas aquisições a qualquer tempo evitando que as façamos possa ter rutura, por isso estamos a trabalhar com FMI e com outros parceiros para ver como podemos adquirir esses bens essenciais.

Economia -
Rádio Somos Todos Primos

O ministro das Finanças, Gareth Guadalupe, realçou na semana passada que o Governo cumpriu 11 dos 16 indicadores da avaliação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que considerou de “resultados satisfatórios” que têm implicado, “muita resiliência e capacidade de imaginação” ao executivo.

Gareth Guadalupe sublinhou que os “resultados são satisfatórios, não obstante haver dificuldade da parte do Estado, que é um Estado deficitário”.

“Isso implica de nós muita resiliência, muita capacidade de imaginação, ao mesmo tempo que nós vamos atendendo as várias preocupações que o país tem”, sublinhou Gareth Guadalupe.

Ainda assim, assegurou que o o Governo continua a fazer esforços para garantir os salários, mas também para realizar investimentos, nas estradas, transportes e o setor da saúde com a aquisição de medicamentos e regentes, de “forma que o país continue a funcionar” no meio da crise e conflitos internacionais.

O ministro destacou que, normalmente, a missão do FMI foca-se mais na contenção, mas o Governo tem demonstrado que não pode conter muito mais nas metas de inflação, em detrimento das pessoas.

Esta declaração surgiu após reuniões em que Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou as autoridades nacionais sobre a necessidade de rever e adaptar os projetos em carteira, face à crise mundial gerada pelo conflito no Médio Oriente.

Na semana passada o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, na terceira avaliação ao programa de ajustamento em São Tomé e Príncipe, que a guerra no Médio Oriente pode “colocar em risco” os progressos obtidos durante o programa.

“Prevê-se que a guerra no Médio Oriente afete o crescimento e a inflação, colocando em risco os progressos alcançados até ao momento ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado (ECF), lê-se no comunicado enviado à Lusa que, ao contrário do que é habitual, não revela se a terceira avaliação foi positiva ou não.

As autoridades deste país lusófono africano “continuam determinadas em cumprir os objetivos definidos no âmbito do programa apoiado pela ECF aprovado pelo Conselho de Administração do FMI em dezembro de 2024” e fizeram “progressos na preservação da estabilidade macroeconómica, não obstante a prolongada crise energética e o choque petrolífero em curso a nível mundial”, acrescenta o Fundo.

A maioria das metas quantitativas nesta avaliação “foi cumprida e registaram-se progressos significativos numa série de temas macroestruturais”.

As autoridades, acrescentam, “estão empenhadas em melhorar a situação orçamental e em fazer avançar a sua agenda de reformas” face a um “crescimento anémico” de 1% no ano passado, com a inflação a descer para menos de 10%.

“São Tomé e Príncipe enfrenta cortes de eletricidade persistentes e atrasos na transição energética, e a conjuntura externa incerta – incluindo a subida dos preços do petróleo a nível mundial – continua a ensombrar as perspetivas”, escreveu o chefe de missão, Slavi Slavov, citado no comunicado.

A economia manteve-se “relativamente resiliente, não obstante as falhas de eletricidade, a política monetária restritiva e a vulnerabilidade do país às alterações climáticas e às catástrofes naturais”, acrescentou ainda Slavov, alertando que apesar da descida da inflação nos últimos meses, “continua elevada e poderá voltar a subir, em caso de deterioração da conjuntura externa”.

O FMI diz que as autoridades continuam empenhadas num “ambicioso ajustamento orçamental a médio prazo, principal instrumento para fazer face à elevada dívida pública do país e para reequilibrar a economia num regime de paridade cambial, a par de uma política monetária restritiva”, num contexto em que, refere, “a intensificação das reformas no setor energético é fundamental para aliviar as pressões sobre o saldo orçamental e a dívida pública, manter a recuperação das reservas internacionais e desencadear um crescimento sustentado”.

O programa de ajustamento financeiro, aprovado em dezembro de 2024, contemplava um pacote total de 25,3 milhões de dólares (cerca de 21,5 milhões de euros), revisto em dezembro do ano passado para chegar a mais de 30 milhões de dólares, equivalentes a mais de 25 milhões de euros, prolongando-se por mais um ano, ou seja, até meados de 2028.

Comentar
 

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais nem utilize linguagem imprópria.

Últimas

Topo