São Tomé e Príncipe inaugurou hoje o primeiro laboratório de anatomia patológica, que vai permitir diagnósticos mais rápidos e precisos, em particular no cancro, reduzindo a dependência do exterior e tornando o tratamento mais acessível, anunciaram fontes oficiais.
“O Laboratório de Anatomia Patológica representa um avanço decisivo na capacidade de diagnóstico, permitindo maior precisão, rapidez e segurança na identificação de doenças. Trata-se de um instrumento essencial para apoiar as decisões clínicas e melhorar significativamente a resposta do sistema nacional de saúde”, declarou o primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos.
Segundo o ministro da Saúde, Celso Matos, que é médico de profissão, a inauguração do laboratório surge numa altura em que o Governo são-tomense foi informado que já não poderá enviar amostras para serem analisadas em Portugal.

“Já tínhamos dificuldade, perdemos esse canal e justamente agora conseguimos reverter a situação com um laboratório aqui em São Tomé e Príncipe. Este é o caminho que devemos seguir: dotar o país de capacidade local”, sublinhou Celso Matos.
A representante da Embaixada de Portugal Paula Pereira considerou que a criação do laboratório representa “um marco histórico” que contribuirá para salvar vidas e melhorar “os resultados de saúde para todos os são-tomenses”.
“O momento que hoje assinalamos representa efetivamente um avanço estrutural de extrema importância, particularmente no contexto do crescente peso das doenças não transmissíveis, em particular as oncológicas, naquele que é o perfil epidemiológico da população do país”, referiu.
O laboratório está instalado no Hospital Central Dr. Ayres de Menezes e resulta de um pedido do Ministério da Saúde são-tomense à Fundação Gulbenkian, que concretizou o projeto com a parceria técnica do IPO-Porto e da Universidade Fernando Pessoa, “que apoiaram na montagem do laboratório e no acolhimento dos profissionais de saúde santomenses para a realização de estágios em contexto de trabalho”.

Em comunicado enviado à RSTP, a Fundação Gulbenkian refere que, “além do diagnóstico, o laboratório vai servir como polo de formação de profissionais de saúde – patologistas, técnicos de laboratório e outros especialistas -,e como fonte de dados epidemiológicos, o que vai permitir conhecer melhor a realidade oncológica do país, apoiar a formulação de políticas públicas e a integração futura do Hospital em redes de investigação”.
“O perfil epidemiológico de São Tomé e Príncipe tem vindo a alterar-se de forma significativa, sendo as doenças não transmissíveis o principal desafio de saúde pública, com as doenças oncológicas a contribuírem para o perfil de mortalidade, representando cerca de 13% do total”, afirma.
Segundo o documento, “o aumento da incidência de casos, associado ao diagnóstico tardio, à limitada capacidade de tratamento e à insuficiente integração dos cuidados, coloca o cancro como um dos maiores desafios para o sistema de saúde e para o bem-estar da população”, representando cerca de 38% das transferências médicas para o exterior realizadas entre 2019 e 2025.
Além do laboratório de anatomia, as autoridades são-tomense inauguram hoje a remodelação e o equipamento do serviço de estomatologia do Hospital Ayres Menezes, que, segundo Paula Pereira, “representa um investimento vital na melhoria dos cuidados de saúde oral da população”.
A representante da embaixada salientou que a remodelação foi efetuada através de uma “parceria robusta” envolvendo a administração do hospital, a cooperação chinesa, parceiros belgas e a ONGD portuguesa Mundo a Sorrir, que há vários anos presta cuidados de saúde oral no arquipélago.
“O projeto de reforço dos sistemas de saúde oral de São Tomé, implementado pela Mundo a Sorrir e financiado pela cooperação portuguesa, garante ainda o apoio ao serviço de estomatologia do Centro de Saúde de Mé-zochi, o acompanhamento dos estudantes na área da saúde oral e dentária e a capacitação de profissionais de saúde e agentes de saúde comunitária”, acrescentou.