O primeiro-ministro, Américo Ramos considerou hoje que o falecimento da jornalista e poetisa Conceição Lima, que foi uma das “mais respeitadas vozes da literatura africana contemporânea”, representa “uma perda irreparável” para a literatura e a cultura.
“Conceição Lima não foi apenas uma escritora de talento extraordinário. Foi uma voz firme da identidade são-tomense, da memória coletiva e da dignidade do nosso povo. Através da sua poesia e do seu pensamento, levou São Tomé e Príncipe ao mundo, tornando-se a autora são-tomense mais traduzida internacionalmente e uma das mais respeitadas vozes da literatura africana contemporânea”, escreveu Américo Ramos, na sua página oficial no Facebook.
Para o primeiro-ministro são-tomense, o percurso de Conceição Lima “honra profundamente” a Nação são-tomense, pois, “como jornalista, escritora, cronista e intelectual, serviu a cultura com sensibilidade, profundidade e compromisso”.
“A partida de Conceição Lima representa uma perda irreparável para a Literatura, para a Cultura e para todo o povo são-tomense. Mas o seu legado permanecerá vivo nas suas obras, nas gerações que inspirou e na imagem digna e universal que ajudou a construir de São Tomé e Príncipe”, escreveu o primeiro-ministro são-tomense.
A jornalista e poetisa são-tomense Conceição Deus Lima morreu hoje, em São Tomé, aos 64 anos, disseram fontes familiares.
Segundo os familiares, a poetisa são-tomense, nascida em 08 de dezembro de 1961, sentiu-se mal logo pela manhã e foi encaminhada ao hospital Central Dr. Ayres de Menezes, onde acabou por falecer por volta das 07:00 locais (06:00 em Lisboa).
Conceição Lima é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, com livros e poemas em alemão, árabe, espanhol, checo, francês, galego, italiano, inglês, shona, servo-croata e turco.
A poetisa foi membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS) e, em 2021, foi nomeada coordenadora nacional, para São Tomé e Príncipe, do Movimento Poético Mundial.
Durante a celebração do dia da mulher são-tomense, em 19 de setembro do ano passado, Conceição de Deus Lima foi distinguida pelo Governo são-tomense como embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe em reconhecimento pelo seu papel na valorização e promoção da identidade cultural do país no plano internacional.
Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários, e estudou jornalismo em Portugal.
Em São Tomé e Príncipe trabalhou e exerceu cargos de direção na Rádio, Televisão e na imprensa escrita e depois da abertura multipartidária no arquipélago, fundou, em 1993, o já extinto semanário independente O País Hoje, de que foi diretora.
Era licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres, onde residiu e trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC.
Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países.
“O Útero da Casa” (2004) foi o primeiro de vários livros, o último dos quais, “Quando os cães deixaram de falar e outras fábulas universais”, foi lançado em 2025.