Hipólito Lima: o jovem são-tomense que leva o louvor em crioulo-forro da Alemanha para o mundo

O projeto “Bila Bi”, palavra em crioulo-forro que significa “volta”, surgiu em 2018 em parceria com o músico e pianista Bizaliel. A iniciativa nasceu da vontade de recuperar músicas cristãs antigas de São Tomé e Príncipe, sobretudo em crioulo-forro, muitas delas atualmente pouco conhecidas pelas novas gerações.

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O jovem cantor cristão são-tomense, residente na Alemanha, Hipólito Will Lima, tem vindo a destacar-se através do projeto musical “Bila Bi”, uma iniciativa dedicada à valorização dos louvores antigos em crioulo-forro e à preservação da identidade cultural de São Tomé e Príncipe através da música cristã.

Em entrevista à RSTP, Hipólito Lima partilhou a sua trajetória ligada à igreja, falou sobre os desafios da imigração e explicou como nasceu o projeto que hoje procura resgatar canções tradicionais cristãs são-tomenses, dando-lhes uma nova voz junto das gerações atuais.

Nascido num seio adventista, o cantor revelou que desde criança esteve ligado à música cristã, participando em corais infantis e, mais tarde, em grupos musicais dentro da igreja. Aos 16 anos, começou a dirigir corais, experiência que reforçou a sua paixão pelo ministério musical.

“Aos 16, 17 anos fui chamado para dirigir o coro principal da igreja. Foi aí que nasceu ainda mais essa paixão por fazer mais e melhor para os louvores cristãos”, contou.

A mudança para a Europa trouxe novos desafios. Primeiro em Portugal e depois na Alemanha, Hipólito teve de adaptar-se a novas culturas e diferentes estilos de adoração. Ainda assim, afirma que a música sempre foi a ponte que facilitou a sua integração nas comunidades onde viveu.

“A música une as pessoas, independentemente da etnia ou da língua”, afirmou.

O projeto “Bila Bi”, palavra em crioulo-forro que significa “volta”, surgiu em 2018 em parceria com o músico e pianista Bizaliel. A iniciativa nasceu da vontade de recuperar músicas cristãs antigas de São Tomé e Príncipe, sobretudo em crioulo-forro, muitas delas atualmente pouco conhecidas pelas novas gerações.

Segundo Hipólito, o projeto ganhou força após o lançamento da música “Sábadu”, durante o período da pandemia, recebendo uma resposta positiva do público.

“Quanto mais a música tem identidade, melhor é a reação das pessoas”, destacou.

O cantor sublinhou ainda que as músicas interpretadas no projeto pertencem a antigos compositores são-tomenses, sendo trabalhadas com autorização e acompanhamento dos respetivos autores ou familiares.

Além da valorização cultural, Hipólito considera que o principal objetivo do projeto é espiritual.

“Se houver algum alcance que nós queremos atingir, é alcançar almas para Cristo”, afirmou, acrescentando que já recebeu testemunhos de pessoas que regressaram à igreja após ouvirem os louvores do grupo.

Atualmente, o projeto evoluiu para a criação da Banda Bila Bi, composta por jovens músicos são-tomenses residentes em diferentes países europeus. Apesar das dificuldades causadas pela distância, o grupo pretende futuramente consolidar-se como um ministério musical organizado.

Durante a entrevista, Hipólito também apelou à valorização da música cristã nacional e incentivou os jovens artistas são-tomenses a produzirem mais conteúdos ligados à fé e à cultura do país.

“Temos lindas canções em São Tomé, mas muitas estão a cair no esquecimento”, lamentou.

No final, deixou uma mensagem de união e esperança ao povo são-tomense.

Precisamos estar mais unidos e mais próximos de Deus. A mudança começa em nós”, concluiu.

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