A subintendente da Polícia Nacional e presidente da Rede Mulher Polícia, Sheila do Nascimento, sublinhou, no Podcast “Mulheres na Liderança” da RSTP, que a crescente participação das mulheres nos serviços de segurança tem contribuído para uma imagem mais inclusiva e humana da segurança pública nacional e, defendeu a igualdade de oportunidades e do reconhecimento do mérito feminino nas forças de segurança.
A oficial superior, formada no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa, Portugal, iniciou a carreira policial aos 20 anos e exerce atualmente funções no departamento de policiamento de proximidade e na Rede Mulher Polícia.
Segundo Sheila do Nascimento, as mulheres enfrentam desafios específicos no exercício da profissão, sobretudo relacionados com a conciliação entre a vida familiar e profissional.
“Nós que somos mulheres nos deparamos principalmente com desafios relacionados à maternidade, onde temos que conciliar a nossa vida familiar com a nossa vida profissional”, afirmou, acrescentando que as mulheres têm conseguido ultrapassar essas barreiras ao longo do tempo.
A responsável considerou positiva a adesão feminina às forças de segurança, sublinhando que a presença das mulheres tem ajudado a aproximar a polícia dos cidadãos e a reforçar uma cultura institucional mais inclusiva.
“Isso tem trazido uma outra imagem para a segurança pública do nosso país”, acrescentou.
Enquanto presidente da Rede Mulher Polícia, Sheila do Nascimento destacou o trabalho desenvolvido pela organização no apoio, capacitação e motivação das agentes, através de ações de formação, intercâmbios e iniciativas de empoderamento feminino.

Apesar dos avanços, reconheceu que persistem obstáculos ligados a mentalidades conservadoras e ao machismo ainda presente na sociedade são-tomense.
“São Tomé e Príncipe ainda é um país meramente machista, […] nós temos trabalhado para quebrar este paradigma”, declarou.
Dirigindo-se às mulheres, a subintendente deixou uma mensagem de incentivo, apelando à perseverança e à conquista do espaço de liderança através do esforço e da competência.
“Nós não devemos desistir dos nossos objetivos, nós sabemos que a sociedade é um pouco machista mas nós temos que lutar para quebrar essas barreiras […] nós não esperar, só pelo facto de eu ser mulher, esperar que a liderança seja dada à de mãos-beijadas, mas sim nós devemos conquistar”, sublinhou.
Para Sheila do Nascimento, liderar a Rede Mulher Polícia significa trabalhar diariamente para garantir que mais mulheres agentes tenham voz ativa, sejam reconhecidas pelo seu mérito e possam contribuir para uma polícia mais inclusiva, humana e próxima da população.