A falta de transportes escolares tem afetado diversos estudantes da comunidade de Plancas II e impactado negativamente o desempenho escolar dos alunos, como no caso de Alex, ex-estudante, que apontou a ausência de meios de transporte como a principal causa do abandono dos estudos.
O trajeto, que deveria ser feito com tranquilidade e conforto, tornou-se penoso e exaustivo, sobretudo em períodos de chuva, comprometendo o rendimento escolar de muitos estudantes.
Alex afirmou que abandonou a escola devido às dificuldades enfrentadas.
“O trajeto para a escola, na realidade, é muito difícil. Eu já não estudo, mas, na altura, foi muito complicado, pois a distância é muito longa. Quem estuda de manhã sai de casa às quatro ou quatro e meia da manhã para conseguir chegar à escola às sete. É muito cansativo. E há professores que, por vezes, chegam cedo, alguns alunos ficam na rua e acabam por levar falta. Muitas pessoas desistem da escola”, disse o ex-estudante Alex.
Os pais lamentaram a situação e alertaram para os perigos enfrentados diariamente pelos alunos, sobretudo pelas raparigas que estudam no período da tarde e regressam a casa já ao final do dia.
“Os alunos aqui passam por grandes dificuldades para ir à escola, principalmente no tempo de chuva. Não há transporte escolar para levar os alunos daqui até à escola, e isso é uma grande dificuldade que enfrentam. […] Não são apenas os alunos, mas toda a comunidade. Não temos transporte nem boas estradas”, lamentou o morador João da Luz.
A história de Alex reflete a realidade de muitos jovens. Vanderley dos Santos é aluno do 12.º ano do Liceu Mexion.
Apesar de atualmente possuir uma motorizada que facilita a deslocação à escola, também viveu durante vários anos as dificuldades provocadas pela falta de transportes.

“Para sair daqui para a escola de manhã é um grande sacrifício. Temos de acordar às quatro ou cinco horas para tentar chegar cedo. Às vezes, com o mau tempo, é muito arriscado. Se houvesse um transporte para nos levar, facilitaria muito”, disse o aluno, acrescentando que se esforça diariamente para concluir os estudos.
Apesar dos desafios, os pais apelam à resiliência da juventude para que continue a lutar pelos seus sonhos.
“A escola exige força de vontade de cada um, mas, mesmo com dificuldades, não podemos desistir. Eu aconselho os alunos que passam por esta situação a não desistirem, porque não há sucesso sem sacrifícios. Mas, num país como este e no ano em que estamos, acho que já é momento de o Governo olhar para estas comunidades”, frisou o morador, Dailú Lopes.
“Eu acredito que o Governo deveria disponibilizar um transporte para esta comunidade, tanto para Plancas I, Plancas II e Praia das Conchas. Pelo menos um autocarro para facilitar o trajeto até à escola”, apelou Alex.
Em declarações à RSTP, o responsável pela Direção Nacional dos Transportes Escolares explicou que, devido às más condições da estrada, torna-se difícil a circulação dos transportes escolares naquela comunidade.
A RSTP contactou também a Secretaria da Educação para obter mais esclarecimentos sobre a situação, mas, até ao momento, não recebeu qualquer resposta.
Enquanto isso, a comunidade de Plancas II continua a aguardar melhorias e uma solução urgente para um problema que, segundo os moradores, tem colocado em causa o bem-estar e o futuro de muitos habitantes da região.