O escritor são-tomense, Guilherme Cardoso lançou há um mês o seu primeiro livro de poemas intitulado “De Alma Nua”, uma obra que reúne poemas e textos pessoais, explorando sentimentos, vulnerabilidade e introspeção, tendo alertado para o fraco hábito de leitura entre a população como o principal desafio da literatura são-tomense.
“Para mim, a literatura são-tomense é um mar desconhecido. Não há uma divulgação adequada, pelo menos nos canais acessíveis ao público geral. Incentivar as pessoas a lerem é complicado. É importante apresentar livros curtos, com conteúdos do interesse do leitor, especialmente o jovem, para cativá-los e criar o hábito de leitura”, disse o jovem escritor em entrevista à RSTP.
O livro foi lançado no dia 25 de janeiro, em Lisboa, Portugal e é um mergulho profundo nas emoções humanas, contado em versos que revelam dores, amores, memórias e recomeços.
Em poemas intensos e sinceros, o autor compartilha vivências reais e sentimentos universais, convidando o leitor a se enxergar em cada palavra. Mais do que poesia, o livro é um espelho e quem lê pode acabar se encontrando no reflexo.
Para o autor, a publicação desta sua primeira obra representa não apenas a concretização de um projeto de vida, mas também uma oportunidade de refletir sobre o futuro da literatura são-tomense.
“Quando comecei a escrever os textos que estão dentro desse livro, não tinha intenção de publicar. Escrevia para desabafar, para esvaziar a mente. Só mais tarde percebi que tinha cerca de 30 poemas organizados cronologicamente, e então pensei: talvez isso dê um livro”, explicou.

O título, segundo o autor, reflete a ideia de expor sentimentos e emoções.
“Colocar textos que contam coisas pessoais minhas é como deixar a alma nua. A ideia é que, ao ler o livro, o leitor também fique de alma nua consigo mesmo”, disse.
Segundo Cardoso, um mês após o lançamento, a receção do público superou as expectativas.
“Recebi feedbacks de pessoas que se viram nas histórias contadas. Senti-me realizado, porque o objetivo está a ser cumprido: transmitir experiências e emoções universais através da minha própria história”, afirmou o escritor.
O escritor acredita que o panorama literário nacional pode se fortalecer nos próximos anos, especialmente com o surgimento de novos autores na diáspora.
“Se as coisas continuarem como estão, com o surgimento de muitos jovens escritores, inclusive eu, daqui a cinco ou seis anos teremos uma literatura mais forte e visível. Muitos escritores vivem na diáspora, o que facilita a visibilidade internacional, infelizmente, mas é a realidade”, afirmou.

Além da poesia, Guilherme pretende explorar novos géneros literários, incluindo a dramaturgia, ampliando sua atuação e contribuindo para a diversidade da literatura nacional.
Com a obra “De Alma Nua”, Guilherme Cardoso estreia de forma marcante, oferecendo aos leitores uma obra que une introspeção e emoção, enquanto projeta uma literatura são-tomense mais visível e fortalecida nos próximos anos.