O Ministro das Finanças, Gareth Guadalupe, anunciou nesta quinta-feira o afastamento do partido Ação Democrática Independente (ADI), sublinhando que não pode continuar num partido “onde já não se revê”, acrescentando que a sua lealdade é para o povo e o país, estando acima de interesses partidários, os quais devem “servir e não dominar”.
A informação foi avançada pelo Ministro na sua página do Facebook, onde apresentou a carta de renúncia, datada de 30 de abril de 2026.
No documento, o ministro explicou que se trata de um ato tomado “de forma consciente e serena”, apontando que a sua entrada no partido, em 2021, na sequência de um convite da atual direção, liderada pelo antigo Primeiro-Ministro, Patrice de Trovoada, foi motivada “por um espírito de serviço ao país”.
“Ao longo do exercício das minhas funções enquanto militante do partido, pautei sempre a minha atuação pela coerência, frontalidade e sentido de responsabilidade institucional, onde, de forma clara e aberta, emiti as minhas opiniões sem receios, mesmo aquelas divergentes do Presidente do Partido ADI, quer nas reuniões da Comissão Permanente e da Comissão Política, quer também em sede de Conselho de Ministros, quando este [Patrice de Trovoada] era também Primeiro-Ministro e Chefe do Governo”, lê-se.
A crise interna no ADI instalou-se após a queda do ex-governo de Patrice de Trovoada, governo no qual o atual Ministro das Finanças detinha a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros.
No documento, Guadalupe apontou que alertou a então direção do partido, no último Conselho Nacional, realizado em novembro de 2025, que “caso a união então solicitada pela Direção do partido não fosse genuína, esta instituição chegaria às eleições mais dividida do que já se encontrava na altura”.
“Infelizmente, os sucessivos acontecimentos vieram a confirmar essa minha preocupação”, disse.
A decisão de Gareth surge na sequência da declaração pública do ex-Primeiro-Ministro, Patrice de Trovoada, onde afirmou que os objetivos da ADI nas próximas eleições passam por evitar a reeleição do Presidente Carlos Vila Nova, afastar traidores que se juntaram ao Governo liderado pelo Primeiro-Ministro Américo Ramos e a ADI voltar ao Governo após as legislativas de setembro para recuperar o país.
“Não posso, igualmente, continuar num partido que, na sua página oficial e em materiais recentes, como a camisola do último Conselho Nacional promove o slogan “Primeiro ADI”, contrariando o princípio do qual fui educado, de que o país deve estar sempre em primeiro lugar. Tendo em conta estes factos, não me incomoda de todo, nem me sinto de forma alguma insultado, ser rotulado de “traidor”; muito pelo contrário, sinto-me honrado se tal significar colocar São Tomé e Príncipe acima de interesses partidários ou de pessoas”, citou.
Guadalupe acrescentou ainda que a sua lealdade “será ao povo e ao futuro do nosso país”.
“Os partidos existem para servir, não para dominar. Os partidos devem ser instrumentos ao serviço do país e dos seus cidadãos, e não fins em si mesmos. […] Dito isto, entendo que não faz sentido permanecer numa estrutura onde já não me revejo”, afirmou.
O ministro referiu ainda que reconhece as oportunidades recebidas enquanto militante do partido e que encerra este ciclo com “serenidade e convicção de que contribuiu para o objetivo de qualquer partido da oposição”, que é o de ser eleito para governar, não tendo qualquer dívida para com a ADI, senão “eternos agradecimentos”.