O Ministro das Finanças Gareth Guadalupe garantiu hoje que será pago este mês o salário a mais de 200 professores que trabalham sem receber há sete meses, mas alertou para a não politização do caso, avisando que o executivo toma medias por causa da pressão sindical.
“Vamos produzir ordem bancária e enviar para os bancos para que os pagamentos sejam processados ainda este mês de abril […] nós não estamos a agir porque o sindicato nos instou, mas porque nós conhecemos os nossos deveres e as nossas obrigações”, declarou Gareth Guadalupe em conferência de imprensa.
O ministro alertou que, apesar de se estar em ano eleitoral em São Tomé e Príncipe, com as presidenciais previstas para julho e legislativas em setembro, “o Governo não vai deixar passar em branco certas palavras da parte do sindicato”.
“O sindicato não pode instar o Governo. O Governo está aqui para trabalhar, sabe o seu papel, reconhece o trabalho que foi prestado pelos professores durante estes sete meses […] nós não gostaríamos que fosse feita política com isso por ser um ano eleitoral”, disse.
O ministro das Finanças sublinhou que o executivo estava a dar seguimento ao processo dos novos docentes, o que envolve várias instituições, mas priorizou um grupo de não docentes que estava há mais tempo sem receber.
“Nós não vamos trabalhar sob pressão do sindicato a instar o Governo, vamos fazer aquilo que devemos fazer e que constitui a nossa obrigação, mas sempre com respeito pelas instituições”, acrescentou Gareth Guadalupe.
Questionado sobre medidas para evitar o atraso no pagamento de salários aos novos docentes nos próximos anos letivos, o ministro referiu que o processo não depende apenas do Governo, envolvendo também o Tribunal de Contas, sendo uma situação que o Estado, no seu todo, deve se organizar para dar melhor resposta.
Na terça-feira, o segundo maior sindicato de professores são-tomenses denunciou que mais de 200 professores contratados no ano passado trabalham há quase sete meses sem salários e instou o Governo a resolver a situação este mês.
Em conferência de imprensa, o presidente do Sindicato Nacional dos Professores e Educadores Novos de São Tomé e Príncipe (Sinapron), Adilson Boa Esperança, realçou que a situação desses docentes “é inquietante” e “deveras preocupante”, pelo que “exigem medidas urgentes para a resolução do problema”.
O líder sindical alertou que a situação é recorrente, apesar de um memorando assinado com o Governo anterior em que se previa pôr fim a estes atrasos.
O sindicato congratulou, por outro lado, o governo regional do Príncipe por “ter pago salários aos novos professores desde o dia 20 de dezembro de 2025, o que não aconteceu com o Governo central”.