O distrito de Lembá foi palco da abertura da segunda edição do projeto Futebol de Rua, uma iniciativa que visa promover o desporto, identificar talentos e incentivar a inclusão social através do futebol.
O evento reuniu equipas masculinas e femininas e marcou um novo passo na valorização do futebol feminino em São Tomé e Príncipe.
O coordenador da área desportiva do distrito de Lembá, Valdiro Veloso, mostrou-se satisfeito pelo facto de o distrito ter sido escolhido para acolher o arranque desta nova edição.
“Nós estamos muito satisfeitos por ter nos escolhido”, afirmou.
Segundo Valdiro Veloso, esta segunda edição trouxe novidades em relação à primeira. Além da identificação de talentos, houve também a realização de um torneio relâmpago para apurar vencedores e promover maior competitividade entre os participantes.
“Essa segunda edição foi a melhor da primeira porque a primeira só foi para escolher os talentos. Desta vez aqui tem o torneio relâmpago onde poderíamos disputar e conhecer os vencedores”, destacou.
O responsável desportivo sublinhou ainda a importância da presença das equipas femininas, apesar da participação reduzida, e considerou que a presença das jovens demonstra o potencial do distrito no futebol feminino.

“Hoje só temos duas equipas aqui, a equipa de Santa Catarina e a equipa de Diogo Vaz”, lamentou.
“Nós vimos também que Lembá tem potencial no setor feminino em termos de futebol. Fazendo essa prática, nós estaremos a promover o futebol, sobretudo o futebol feminino, que quase está sendo desaparecido no país”, acrescentou.
Um dos organizadores do projeto, Nisley Pedroso, explicou que a realização da segunda edição surgiu devido ao impacto positivo da primeira.
“A segunda edição é promovida por nós, mas muito por pedido de todas as outras pessoas que sentiram o impacto da primeira edição”, disse.
Para o organizador, a aposta no futebol feminino tornou-se necessária devido à queda da modalidade no país.
“O futebol feminino, para começar aqui em São Tomé, está em decadência”, alertou.
Nisley Pedroso acrescentou que a inclusão das mulheres foi pensada como uma forma de promover igualdade de género e garantir que meninas e senhoras tenham as mesmas oportunidades dentro do desporto.
“O futebol é paixão, é vida. E se nós tivermos os homens dentro do Estado sem as mulheres, sentimos que o futebol fica em falta. Então trouxemos essas senhoras, essas meninas, esses jovens, para fazer o processo de inclusão, igualdade de género e outras coisas mais”, explicou.
Entre as participantes, a jovem Dionilda, da localidade de Diogo Vaz, afirmou que decidiu participar por incentivo de outras meninas da sua comunidade.

“Muitas meninas da minha rua, de Diogo Vaz, ficam a jogar e eu vejo que isso é muito bonito”, contou, apontando que, ver mulheres a jogar futebol representa um sonho.
“Representa muitas coisas, muito divertimento”, disse.
Outra participante, Rafaela, de Santa Catarina, contou que participa regularmente em atividades desportivas e que deseja incentivar mais meninas a perderem a vergonha de jogar.
“Eu tiro as minhas meninas de Santa Catarina para conhecer mais a cidade e para não ter vergonha de jogar”, disse.
Rafaela reconheceu que já enfrentou dificuldades por ser rapariga no futebol, mas deixou uma mensagem de encorajamento.
“A menina nunca sente receio de jogar, vai atrás do seu sonho, não desiste do seu sonho”, apelou.
O sonho de Rafaela é tornar-se jogadora profissional e representar São Tomé e Príncipe.
A segunda edição do Futebol de Rua arrancou em Lembá com um forte apelo à inclusão e à valorização do futebol feminino, num momento em que os organizadores e participantes acreditam ser possível recuperar o interesse pela modalidade entre as jovens do país.