Saúde -

Determinados a acabar com o paludismo: Agora podemos. Agora devemos. — Dr. Mohamed Janabi

Apelo aos governos, parceiros, investigadores, sociedade civil e comunidades para que aproveitem esta oportunidade histórica. Vamos agir juntos para que a próxima geração de crianças e mulheres grávidas africanas possa viver livre do flagelo do paludismo.

O pequeno mosquito continua a causar enormes danos. Todos os anos, o paludismo mata centenas de milhares de pessoas, a maioria das quais crianças africanas. No entanto, hoje também podemos dizer algo antes inimaginável. Temos a determinação, os conhecimentos e as ferramentas para reduzir drasticamente a doença e as mortes por paludismo, e finalmente acabar com o paludismo enquanto ameaça de saúde pública.

O tema do Dia Mundial de Luta contra o Paludismo deste ano é Determinados a acabar com o paludismo: Agora podemos. Agora devemos. Trata-se simultaneamente de uma mensagem de esperança e de um apelo urgente à acção. Em toda a Região Africana, os países estão a mostrar uma liderança mais forte, a aumentar o investimento interno e a usar a inovação para proteger as pessoas em maior risco. A resposta ao paludismo está a entrar numa nova fase moldada pela

apropriação pelos países, uma utilização mais inteligente dos dados, um envolvimento comunitário mais forte e novas ferramentas transformadoras. A eliminação já não é uma ambição distante. É um objectivo alcançável se agirmos de forma decisiva agora. A nossa Região continua a suportar o fardo do paludismo mais pesado do mundo. Só em 2024, quase 600 000 vidas foram perdidas em África. Três quartos dessas mortes

ocorreram em crianças pequenas. Estas mortes evitáveis lembram-nos porque é que os progressos não podem esperar.

Há sinais encorajadores de uma dinâmica. Mais de dez países aumentaram o financiamento interno dos programas de luta contra o paludismo desde Janeiro de 2025. 

Vinte e cinco países estão a distribuir vacinas contra o paludismo, ajudando a proteger cerca de 10 milhões de crianças por ano. As redes mosquiteiras de próxima geração concebidas para ultrapassar a resistência aos insecticidas representam agora a grande maioria das redes recentemente distribuídas. As tecnologias digitais estão a melhorar a  nossa capacidade de prever, detectar e responder a surtos. Além disso, as novas  inovações no controlo de vectores estão a expandir a nossa panóplia de ferramentas. 

No entanto, os progressos não estão garantidos. O défice de financiamento continua a abrandar a resposta. Serão necessários pelo menos 45 mil milhões de dólares americanos entre 2026 e 2030 para atingir as metas mundiais de combate ao paludismo. A resistência aos insecticidas é generalizada. A resistência aos medicamentos está a surgir em alguns contextos. A variabilidade climática está a alterar os padrões de transmissão. E as crises humanitárias e as deslocações de pessoas estão a aumentar a vulnerabilidade.

Agora podemos, porque temos um empenho político mais forte, melhores dados, comunidades mais envolvidas e ferramentas mais poderosas do que nunca. Agora devemos, porque quando os investimentos diminuem e os programas

enfraquecem, o paludismo retorna rapidamente, revertendo os ganhos arduamente conseguidos e custando vidas.

Para aproveitar este momento, são essenciais cinco prioridades:

  • Em primeiro lugar, os países devem continuar a liderar a resposta ao paludismo com uma forte apropriação nacional. Quando os governos priorizam o paludismo enquanto dividendo do desenvolvimento nacional e mobilizam recursos internos, estabelecem as bases para um impacto sustentável.
  • Em segundo lugar, a inteligência estratégica deve orientar a acção. Sistemas de vigilância robustos, uma melhor utilização de dados factuais e a análise de dados permitem aos países antecipar ameaças, implementar intervenções de forma mais eficaz e garantir que os recursos são utilizados onde se pode obter um maior impacto.
  • Terceiro, a inovação deve ser acelerada e dimensionada de forma equitativa. A introdução de vacinas contra o paludismo, de novas ferramentas de controlo de vectores e de melhores estratégias de tratamento representa um grande passo em frente. Ao mesmo tempo, o reforço da capacidade de investigação e da produção regional em África pode ajudar a garantir que a inovação beneficia aqueles que mais precisam dela.
  • Quarto, os cuidados de saúde primários devem permanecer no centro da resposta ao paludismo. Serviços de saúde centrados nas pessoas e prestados través de plataformas comunitárias robustas permitem um diagnóstico precoce, um tratamento atempado e uma prevenção permanente.
  • E quinto, acabar com o paludismo requer um esforço de toda a sociedade. Factores ambientais, sociais e económicos determinam a transmissão do paludismo. Para lidar com estes factores, é necessária uma colaboração entre os diferentes sectores, incluindo a saúde, a habitação, a agricultura, a educação, o ambiente e as finanças. Deve também haver uma participação activa das comunidades.

Apelo aos governos, parceiros, investigadores, sociedade civil e comunidades para que aproveitem esta oportunidade histórica. Vamos agir juntos para que a próxima geração de crianças e mulheres grávidas africanas possa viver livre do flagelo do paludismo.

Por: Dr. Mohamed Janabi, Director Regional da OMS para a África.

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