A marca são-tomense Kelê – Etiqueta Africana destacou-se na 4ª edição da CPLP Fashion Week, realizada no Casino Estoril, em Portugal, no passado dia 23 de maio, levando ao palco internacional a identidade cultural de São Tomé e Príncipe.
Durante o evento que decorreu sob o lema “Raízes em Movimento” a marca destacou-se pela valorização da ancestralidade africana através de tecidos, símbolos e elementos tradicionais incorporados nas criações apresentadas em passerelle.
Segundo a CEO da Kelê – Etiqueta Africana, Leise Santos, a inspiração da coleção nasceu de uma verdadeira viagem às raízes africanas, através de padrões autênticos, acessórios tradicionais, colares, chinelos e até o uso do pé descalço em passerelle. A estilista apostou ainda na integração do kimono em tecido africano, sem perder a ligação à sua identidade santomense.
“A bandeira de São Tomé e Príncipe foi essencial, porque sem ela o público não saberia de onde eu venho”, afirmou Leise Santos.

O desfile foi aberto com a bandeira nacional inteiramente feita à mão e encerrado com um vestido inspirado na bandeira são-tomense, também produzido manualmente, numa clara demonstração de orgulho nacional.
Segundo a criadora, representar São Tomé e Príncipe num palco internacional foi um misto de orgulho e responsabilidade.
“Sabíamos que estávamos a levar o nome do país para um evento de enorme prestígio”, sublinhou.
“Foi um peso, mas um peso que transformamos em força. Ver o público a reconhecer a nossa marca, a perceber o nosso trabalho e o nosso crescimento foi um orgulho imenso e um marco na nossa trajetória”, acrescentou.
Na coleção apresentada, a bandeira nacional assumiu-se como o principal símbolo identitário. Apesar de reconhecer a importância do traje tradicional são-tomense, Leise Santos optou por manter a linguagem artística da marca baseada em tecidos africanos, utilizando as cores verde, amarelo, vermelho e preto para reforçar a representação do país.

A participação da marca na CPLP Fashion Week trouxe maior visibilidade não só para a Kelê – Etiqueta Africana, mas também para a moda são-tomense.
Para Leise Santos, o entusiasmo do público demonstrou o reconhecimento do talento vindo de São Tomé e Príncipe e poderá abrir novas oportunidades para jovens criadores nacionais.
“A minha visão para o futuro é que esta visibilidade inspire outros jovens criadores, dando-lhes força, coragem e disciplina. Quem acompanhou o nosso percurso desde o início viu que começamos do zero e, com persistência e determinação, estamos a construir o nosso caminho”, enalteceu.
Depois desta participação, a marca prepara-se já para um novo desfile marcado para o próximo dia 29 de maio, no Hotel Intercontinental, em Lisboa, a convite da Wine Business Fashion, onde voltará a representar São Tomé e Príncipe.

Entre os próximos objetivos da marca está a criação de estampas exclusivas para São Tomé e Príncipe, através do pano “Ngamá”, um projeto idealizado para valorizar ainda mais a identidade cultural são-tomense no universo da moda africana.
“Falta só a produção, que, como sabem, tem um custo elevado. Estamos a trabalhar nisso, com fé de que tudo vai correr bem, e que o pano vai chegar ao mercado em São Tomé e Príncipe e não só”, afirmou.
“Os planos seguintes são mesmo estes: levar a marca a vários países, incluindo o meu país de origem, e outros onde já recebi convites, porque as pessoas valorizam o nosso trabalho, a qualidade do que oferecemos, e o impacto que estamos a criar”, adiantou.
Leise Santos aproveitou ainda a ocasião para apelar à valorização da moda e da cultura africanas.
“Cada peça e cada criação refletem a nossa identidade e a nossa história. Precisamos apoiar os criadores para manter viva a nossa cultura”, destacou.
O evento, que decorreu no Casino do Estoril, contou ainda com a participação de outros nomes são-tomenses no universo da moda, como Antonieta Almeida e Roselyn Silva. Entre as patrocinadoras, destacou-se a empresária são-tomense, Deise Rosa.