A Federação Santomense de Futebol (FSF) perdeu a oportunidade de beneficiar de mais de 3 milhões de dólares em financiamentos da FIFA, além da distribuição de cerca de 100 mil bolas e vários programas de desenvolvimento, devido à falta de resposta a comunicações eletrónicas enviadas pelo organismo que tutela o futebol mundial.
A informação foi revelada durante um workshop promovido pela FIFA, no qual foram apresentados dados relativos ao ciclo de apoio 2023-2026. Segundo os especialistas presentes, a ausência de resposta aos e-mails enviados pela FIFA impediu São Tomé e Príncipe de aceder a diversos programas destinados ao fortalecimento do futebol nacional.
Entre os apoios perdidos constam financiamentos para competições juvenis, iniciativas de desenvolvimento do futebol feminino, futebol de praia e minifutebol, bem como ações de formação para treinadores e dirigentes desportivos.

Durante a sessão, os representantes da FIFA destacaram que a comunicação institucional é um fator determinante para o acesso aos programas de apoio disponibilizados pela organização.
Segundo explicaram, o simples envio, acompanhamento e resposta atempada aos e-mails oficiais pode acelerar a integração das federações nacionais em projetos de desenvolvimento e capacitação.
Os oradores revelaram ainda que existem programas específicos destinados à formação de treinadoras e dirigentes femininas, alguns dos quais incluem apoios financeiros que podem atingir os 10 mil dólares para reforçar estratégias de formação e desenvolvimento.
“Se a Federação de São Tomé e Príncipe enviar e responder aos e-mails da FIFA, a entrada do país em vários pacotes de apoio pode acontecer rapidamente”, referiram os especialistas durante o encontro.

A FIFA manifestou esperança de que a situação seja corrigida no próximo ciclo de financiamento, previsto para 2027-2030, permitindo que São Tomé e Príncipe aproveite plenamente as oportunidades disponíveis para o crescimento do futebol nacional.
No entanto, o workshop realizado nos dias 7 a 9 de junho, não esteve isento de críticas. Vários clubes nacionais manifestaram descontentamento com a forma como foi conduzido o processo de seleção dos participantes, alegando que a Federação Santomense de Futebol convidou apenas um grupo restrito de emblemas para o encontro com os representantes da FIFA.
Entre os clubes presentes estiveram Praia Cruz, Aliança Nacional, UDRA, Diogo Vaz, Porto Alegre, Micolo, Folha Fede, Conde, Amadora e Boavista. Fontes ligadas a clubes que ficaram de fora consideram que os critérios de escolha não foram devidamente esclarecidos e defendem que uma iniciativa dedicada ao desenvolvimento do futebol amador deveria envolver uma representação mais ampla e inclusiva dos clubes nacionais.