ADI pede ao TC para proibir ala de Américo Ramos de realizar reuniões com militantes do partido

O partido diz que continua a defender que o TC não deve decidir sobre assuntos internos do partido, mas justifica a apresentação da providência cautelar com base na decisão anterior que considerou ilegal.

País -
Rádio Somos Todos Primos

A ala da Ação Democrática Independente (ADI) liderada pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada pediu ao Tribunal Constitucional que proíba o primeiro-ministro, Américo Ramos, e os seus apoiantes de realizar reuniões com militantes do partido do qual é candidato à presidente.

“Nós estamos a pedir que os tribunais travem estas reuniões, quer seja o congresso ou as reuniões que eles fazem aqui, inclusive exibindo os símbolos do partido, que isto é totalmente errado, contra a lei, isto é ilegal”, disse o porta-voz da ADI, Alexandre Guadalupe após a entrega de uma providência cautelar no TC, na tarde de sexta-feira, 26 de junho.

Segundo Alexandre Guadalupe, Américo Ramos e os seus apoiantes têm estado a fazer isso “para criar uma instabilidade no país, e inclusive alguns deles invocam o bom nome do Tribunal Constitucional como sendo um refúgio” que têm, que lhes dão garantias de poderem “conseguir assaltar o partido” ou impedir a ADI de participar nas eleições legislativas de 27 de setembro.

No mês de março o TC aceitou uma providência cautelar apresentada pelo grupo que apoia Américo Ramos e impediu a realização de um Conselho Nacional organizado pela direção da ADI, presidida pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, que pretendia adiar o congresso eletivo agendado para abril, mas que não aconteceu.

Na altura, a direção da ADI considerou a decisão de ilegal e defendeu que o TC não tem competências para decidir sobre assuntos internos do partido, sobretudo através de providência cautelar.

O partido diz que continua a defender que o TC não deve decidir sobre assuntos internos do partido, mas justifica a apresentação da providência cautelar com base na decisão anterior que considerou ilegal.

“Entendemos que se eles acham que têm a competência que travem também as outras ações, inclusive aquelas que são realmente ilegais”, apelou Alexandre Guadalupe.

Num acórdão de 28 de maio, o Tribunal Constitucional ordenou a ADI a convocar o congresso num prazo não superior a 30 dias, mas o presidente do partido, Patrice Trovoada declarou que não acataria a decisão.

No entanto, o partido realizou um Conselho Nacional no passado domingo, que ficou marcado por confusões e agressões entre os militantes apoiantes de Américo Ramos e de Patrice Trovoada.

O grupo de Américo Ramos abandonou o encontro denunciando alegadas irregularidades, mas a outra apoiante de Patrice Trovoada avançou e marcou o congresso eletivo para 26 de julho, além de constituir a comissão eleitoral interna e aprovar o código eleitoral.

Após a demissão do Governo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025, o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova rejeitou vários nomes propostos pela ADI e escolheu para primeiro-ministro o ex-secretário-geral do partido, Américo Ramos contra a indicação da direção da ADI, levando o partido a demarcar-se do Governo, e romper-se posteriormente com os seus elementos que o integraram.

São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 19 de julho e legislativas, autárquicas e regional em 27 de setembro.

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