O político guineense Domingos Simões Pereira, que encontrava-se preso preventivamente por alegado gospel de estado, recebeu esta quarta-feira liberdade provisória de três meses para tratamento médico em Portugal, segundo o documento a que a RSTP teve acesso.
“Temos em que, por razão humanitária e legal, decido suspender a prisão preventiva a que o suspeito está submetido pelo prazo de três meses (artigo 164º. do CPP), sujeitando-o à obrigação de abster-se de desenvolver qualquer atividade político-partidária no decurso da vigência desta suspensão, conforme as exigências decorrentes do estatuto de preso”, disse a Promotoria de Justiça Militar.
De acordo com o documento emitido pela Promotoria de Justiça Militar da Guiné-Bissau, o suspeito Diogo Simões Pereira requereu a “suspensão da medida de coação prisão preventiva a que foi submetido por despacho de fls. 495/499 datado do dia 09 de julho ao ano em curso (2026)”.

“A doença do suspeito está comprovada pelo atestado do médico do Hospital Principal Militar de Bissau, na circunstância Dr. Domiciano Bernardo Nacocam Mango que não há possibilidade de tratamento médico na Guiné-Bissau e que o tratamento em Portugal se revela absolutamente indispensável”, citou o documento.
Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi colocado em prisão cpreventiva e conduzido para a Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública, em Bissau e está a ser investigado pelo Tribunal Militar por alegada participação numa tentativa de golpe de Estado antes das eleições gerais de novembro de 2025 em Guiné Bissau.
As autoridades suspeitam que Simões Pereira tenha disponibilizado fundos e a sua residência para preparar a alegada tentativa de golpe.
A defesa do líder contestou a decisão e recusou-se a comparecer no tribunal, considerando que este é um “caso político que foi judicializado”. Os advogados alegam que o Tribunal Militar não tem competência para julgar um civil.
Simões Pereira e o PAIGC foram impedidos de concorrer às eleições de novembro de 2025, interrompidas, entretanto, por um golpe militar.